1 - INTRODUÇÃO
O mundo vem assistindo à uma continuada revolução econômica-financeira-contábil,
especialmente através do incessante surgimento de novos conceitos,
instrumentos e produtos que, graças as maravilhas da tecnologia da
informação, se tornaram acessíveis aos gestores.
Johnson & Kaplan (1993, p.3), afirmam que "o ambiente econômico
contemporâneo exige excelência dos sistemas corporativos de
contabilidade gerencial. Com a tremenda competição global, o rápido
progresso na tecnologia de processos e produtos e as violentas
flutuações nas taxas de câmbio e preços das matérias-primas, o sistema
de contabilidade gerencial de uma organização precisa fornecer
informações oportunas e precisas, para facilitar os esforços de
controles de custos, para medir e melhorar a produtividade, e para a
descoberta de melhores processos de produção.
O sistema de contabilidade gerencial também necessita informar
custos precisos dos produtos, de modo que a fixação de preços, a
introdução de novos produtos, o abandono de produtos obsoletos e a
resposta a produtos rivais possam se basear na melhor informação
possível sobre as necessidades de recursos para aquele produto".
Com esses papéis vitais nas informações de planejamento e na comunicação,
motivação e avaliação, o sistema de contabilidade gerencial da
organização é um componente necessário na estratégia da empresa para
alcançar o sucesso competitivo.
O processo de profundas alterações que o nosso País atravessa, como
resultado de fatores históricos internos e de uma opção clara no sentido
da sua integração num espaço mais amplo, sofisticado, desenvolvido e
competitivo, conduziu os nossos gestores à necessidade de, rapidamente,
se adaptarem às estruturas internas das suas empresas e a aperfeiçoarem
os seus métodos de gestão global, particularmente no domínio da gestão
financeira.
2 - GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA
O processo de globalização passou a ser, nos últimos anos, uma expressão
corrente na literatura e no noticiário cotidiano. Sua presença e sua
influência são suficientemente marcantes para que não possam deixar de
ser considerados.
Originário no mundo jornalístico, o termo globalização logo vulgarizou-se
e ganhou numerosos adeptos no universo político-ideológico. Coutinho
(1996, p. 220) diz que a globalização pode ser entendida como um estágio
avançado do processo histórico de internacionalização correspondente a:
1 - Uma etapa de forte aceleração da mudança tecnológica, caracterizada
pela intensa difusão das inovações telemáticas e informáticas e pela
emergência de um novo padrão de organização da produção e da gestão na
indústria e nos serviços: padrão esse caracterizado pela articulação das
cadeias de suprimento e de distribuição através de redes que minimizam
estoques, desperdícios, períodos de produção e tempos-de-respostas,
tornando os processos mais rápidos e eficientes. A superioridade
competitiva deste novo padrão tornou-se imperiosa a sua adoção
universal, evidentemente adaptada às peculiaridades nacionais;
2 - A rápida difusão deste novo padrão de organização da produção e da
gestão vem acentuando o peso do comércio regional intra-indústria (e
também intra-firma, especialmente nos casos das transnacionais) uma vez
que os sistemas Just-in-Time e a resposta adaptadas às demandas....
3 - O avanço da concentração dos mercados dentro dos blocos regionais,...
4 - A difusão desigual da mudança tecnológica entre os países centrais...
5 - A persistência destes desequilíbrios reverteu a posição do pólo
principal do sistema....
A globalização está alterando de maneira fundamental o cenário econômico
mundial. Ela é resultado da tendência generalizada à liberalização do
comércio e dos mercados de capitais, da crescente internacionalização
das estratégias de produção e distribuição das empresas, bem como dos
avanços tecnológicos que estão rapidamente aluindo as barreiras ao
comércio internacional de bens de serviços e à mobilidade do capital (Qureschi,
1996),estando presente na realidade e no pensamento, desafiando grande
número de pessoas em todo o mundo.
Ianni (1995, p.11) diz que: "a despeito das vivências e opiniões de uns
e outros, a maioria reconhece que esse problema está presente na forma
pela qual se desenha o novo mapa do mundo, na realidade e no imaginário".
Este é um fenômeno não muito recente, mas a velocidade de sua expansão
tem apresentado taxas crescentes de aceleração e, em muitos casos,
assustadoramente crescentes.
Segundo Martins (1992, p.30), "... a globalização de mercados vêm
obrigando os profissionais, pesquisadores e professores de Contabilidade
a se adaptarem a mudanças no seu ambiente profissional, não só em termos
de normas e práticas como também de conceitos e objetivos".
A economia mundial, no período do pós-guerra, vem passando por
sucessivas transformações em direção à internacionalização da produção e
dos mercados.
As inovações tecnológicas ocorridas a partir de meados da década de 70
geraram um novo paradigma tecnológico. Os fundamentos desse novo
paradigma são as novas tecnologias de informação e inovações
organizacionais relacionadas.
Os níveis de competitividade alcançados dentro do novo paradigma, tanto
nas novas indústrias como na revitalização das antigas, representam
saltos qualitativos em relação às práticas tradicionais.
Com esse desenvolvimento, Thorstensen (1994, p. 21) diz que, "a
utilização dos computadores e de novos equipamentos de comunicação nas
indústrias e em serviços tornou possível a introdução de inovações
organizacionais e na gestão, redefinindo os fatores determinantes da
competitividade".
Essas novas tecnologias de informação e inovações organizacionais estão
deslocando os fatores críticos de competitividade das empresas dos
custos de produção para os custos de transação e gestão.
Para enfrentar a competição não basta ter grande escala de produção e
uma estrutura administrativa capaz de executar as estratégias definidas
pela alta direção.
O domínio da tecnologia de produção em si é fundamental, mas não
representa mais a garantia de controle de mercado. A organização
flexível e a gestão de fatores fora da esfera da produção tornaram-se
críticos.
As qualificações mais demandadas dos recursos humanos estão deixando de
ser especialização e disciplina, mas capacidade de detectar e resolver
problemas trabalhando em grupos muitas vezes interdisciplinares e
capacidade de agir estrategicamente.
A evolução tecnológica tem provocado a necessidade de uma
descentralização maior referente ao processo de gerenciamento das
empresas multinacionais ou nos negócios conjuntos nesse nível.
Em se tratando de descentralização, Martins (1992, p.31) explica que
"juntamente com a necessidade de redução de custos, esse processo de
descentralização também muito tem a ver com a utilização da
Contabilidade como forma de avaliação de desempenho e acompanhamento, um
pouco mais à distância, do comportamento dos investimentos efetuados".
3 - MUDANÇAS DE NÍVEL TECNOLÓGICO
Catelli & Guerreiro (1995, p.17), dizem que "o ambiente mundial vem
passando por modificações profundas no que diz respeito aos aspectos
geopolíticos, social e econômico. No que se refere ao último aspecto, o
processo de mudanças tem impactado fortemente a atuação de países e das
empresas. Neste contexto ambiental turbulento, as empresas tem sido
submetidas a novos desafios, principalmente a uma acirrada competição. A
necessidade de busca da excelência tem levado as empresas a repensarem
sua filosofia de atuação, seus processos e técnicas operacionais,
processos gerenciais e instrumentos de gestão".
Entretanto, o que se constata, é que está acontecendo verdadeira
revolução na organização das empresas, através da utilização de
tecnologias avançadas de produção, e se tem verificado que um forte
obstáculo vem inviabilizando o seu sucesso continuado, pois a abordagem
tradicional encara a fábrica apenas como uma coleção de máquinas e de
operações individuais.
Segundo Nakagawa (1993, p. 23), para obter as melhorias, existe novo
paradigma para produção que não é a automação, robotização, nem mesmo
qualquer uma das tecnologias orientadas para o uso de computadores,
embora ele faça uso destes e outros conceitos e técnicas, tais como, o
Just-in-Time (JIT), o Total Quality (TQC) (Controle de Qualidade Total)
Computer Aided Design (CAD) Computador Ajudando o Desenho, Computer
Aided Manufacturing (CAM) Computador Ajudando a Fabricação, Flexible
Manufacturing System (FMS) Sistema de Fabricação Flexível, Computer
Integrated Manufacturing (CIM), Fabricação Integrada por Computador ou
Manufatura Integrada por Computador, Material Requirements Planning (MRP)
Planejamento das Necessidades de Materiais e TOC/OPT - Teoria das
restrições/tecnologia da produção otimizada, todos sendo considerados
como implementação da Filosofia de Excelência Empresarial.
Ainda que, de forma introdutória e conceitual, em seguida serão
apresentados alguns dos principais conceitos de filosofia industrial e
de qualidade.
Just-in-Time - O JIT, procura eliminar os estoques intermediários e
finais, partindo do pressuposto que os estoques são custosos e
encorajadores da ineficiência fabril. Podemos dizer que é a qualidade no
fluxo do processo fabril, e que é conceito de administração de produção.
Padoveze (1994, p. 384), refere-se que o "JIT nasceu no momento certo da
visão de que os estoques são elementos encorajadores e acobertadores de
ineficiência gerencial e lentidão do processo fabril". Já Berliner &
Brimson (1992, p. 117), dizem que "a medida que os níveis de inventário
decrescem dentro da filosofia, Just-in-Time e acontecem mudanças
operacionais, o processo de valorização de inventário é simplificado".
Johnson & Kaplan (1993, p. 195), dizem que no JIT "a meta de estoques
operacionais zero proibia que uma peça fosse produzida sem que o estágio
de produção seguinte estivesse preparado para processá-la".
Total Quality Control - O TQC, tem a sua abordagem de "fazendo as coisas
corretas na primeira vez", sendo básica as seguintes premissas:
- qualidade significa satisfazer às necessidades dos consumidores.
- consumidores tanto podem ser os usuários finais dos produtos acabados,
como as pessoas das operações seguintes, dentro do processo total de
manufatura, conforme cita Nakagawa (1993, p. 25).
Computer Aided Design - CAD/CAE, poderá ser traduzido como o Computador
Ajudando o Desenho/Computador Ajudando a Engenharia. O produto e suas
partes e peças são especificados e desenvolvidos por computador, para
integração com a fase seguinte do processo CIM, que é a feitura do
processo.
Computed Aided Manufacturing - CAM, a seqüência computacional do CAD é o
CAM - Computador ajudando a fabricação. Esse ferramental computacional
parte dos dados especificados no CAD, e os transforma em linguagem das
máquinas que vão trabalhar as peças, identificando e especificando como
as peças deverão ser fabricadas. É a etapa do que denominamos engenharia
do processo, ou engenharia de fábrica.
Flexible Manufacturing System - FMS, é o que espelha adequadamente o
conceito de célula de produção. Padoveze (1994, p. 380), refere que "as
máquinas componentes do FMS são controladas por computador, e são
programadas para mudar rapidamente de um estágio de produção para outro.
A chave de um FMS é o fluxo automatizado de materiais para a célula,
através do sistema automático de movimentação de materiais, e a remoção
automática dos componentes produzidos, após a sua conclusão".
Ainda, o mesmo autor diz que outro fundamento do FMS é a possibilidade
de eliminação do tempo de preparação entre uma máquina e outro
componente da célula, aumentando drasticamente a velocidade de produção,
com a eliminação dos tempos de preparação e movimentação de material,
além do incremento da qualidade e redução de estoques.
Computer Integrated Manufacturing - CIM, para um ambiente CIM é
necessário que haja integração computadorizada entre as três etapas, que
são: a engenharia do produto (o desenvolvimento da idéia do produto); a
engenharia do processo (a formatação e a definição da forma de executar
a fabricação do produto); e a fabricação propriamente dita. Padoveze
(1994, p. 378) diz que o CIM busca agilizar e integrar o processo
produtivo, a partir do desenvolvimento do produto, até a fabricação
final.
Material Requirements Planning - MRP significa planejamento das
necessidades de materiais. Pode ser definido como um conjunto de
técnicas que utiliza as listas de materiais, os dados do controle de
estoques e o programa de produção, para calcular as necessidades de
materiais, acionar e controlar a emissão de pedidos e ordens de
fabricação, controlar e gerenciar os estoques e a produção. O inventário
para o MRP é vantagem de custo.
Teoria das Restrições/Tecnologia da Produção Otimizada - TOC/OPT. A
Teoria das Restrições (Theory of Constraints) denominada também de GDR (Gerenciamento
das Restrições), desenvolvida por Goldratt e Cox traduziu-se numa
filosofia de manufatura denominada OPT - Optimized Manufacturing
Technology (Tecnologia da Produção Otimizada), que é considerada uma
variante da filosofia JIT. Segundo Goldratt, o que determina a
resistência,
"a força" de uma corrente (um sucesso fabril, por exemplo), é seu elo
fraco. Só existe um elo fraco numa corrente. Este elo fraco restringe o
melhor desempenho de toda a corrente. Essa restrição ou gargalo é que
deve ser imediatamente trabalhada. Eliminada a primeira restrição,
outras restrições, outros elos fracos da corrente, irão aparecer, e
assim sucessivamente, num contínuo aperfeiçoamento e fortalecimento do
processo produtivo e empresarial.
Em se tratando de mudanças de nível tecnológico, Drucker (1990, p. 70),
observa que "a fabricação do futuro será uma rede de informações. Os
gerentes terão de entender todo o processo de produção". Ainda o mesmo
autor cita, na p. 66, que "o objetivo da nova contabilidade industrial é
integrar a produção na estratégia dos negócios".
Quanto às mudanças tecnológicas, Iudícibus (1995, p. 304) diz que "a
maior inovação (de inspiração japonesa e hoje seguida em todo o mundo)
não reside em máquinas sofisticadas, em pacotes de computador mais
avançados, mas sim em dois fatores: 1) o aperfeiçoamento constate da
força de trabalho, premiando a fidelidade à empresa, ampliando a cultura
geral dos operários, bem como sua participação criativa e
2) uma mudança da mentalidade e da forma de trabalho no setor
produtivo, a saber, ao contrário do que era praticado até então, colocam-se,
agora, no mesmo time, desde as fases embrionárias do desenvolvimento de
um novo produto, os engenheiros de design e os de processo (e o contador
de custos acompanhando), de forma a delinear um produto que, mais tarde,
na hora de ser produzido de fato, apresentará o menor número de
problemas possíveis ou, se possível, nenhum, evitando custos de
redesenho, reprocessamento, aumentando a qualidade e a satisfação dos
clientes".
4 - OS REFLEXOS DESSAS MUDANÇAS NA GESTÃO EMPRESARIAL
A atual competitividade dos negócios e as constantes mudanças nos
diversos ambientes das empresas exigem a maximização do desempenho e do
controle empresarial. Neste sentido, a Controladoria exerce papel
preponderante na empresa, apoiando os gestores no planejamento e
controle de gestão, através da manutenção de um sistema de informações
que permita integrar as várias funções e especialidades.
Hoje, com a Excelência Empresarial, as informações gerenciais devem
cobrir todo o ciclo de vida do produto, o qual em suas definições afeta
sobremaneira o projeto de sua qualidade.
Segundo Beuren & Oliveira (1996, p. 31), "a preocupação dos empresários
hoje está voltada à satisfação dos clientes. Esta situação traz consigo
um clima de competitividade e faz com que as empresas comecem a exigir
mais qualidade de seus produtos e serviços e, por conseqüência, maior
produtividade".
Neste sentido, Robles Jr. (1994, p. 12) diz que "a era que se inicia é a
da Qualidade, em que o desperdício será duramente punido. As
organizações começam a conscientizar-se da importância do aproveitamento
total dos materiais. A ordem é fazer certo pela primeira vez, procurando
ao máximo evitar perdas".
Para as empresas tornarem-se competitivas, é essencial que não se tornem
complacentes. Muitas vezes, consideram-se invulneráveis e por isso
implantam uma estratégia de tirar partido de sua atual posição de
mercado. A marca de excelência de uma empresa é um compromisso contínuo
em tornar-se totalmente competitiva. Isto requer a constante eliminação
de desperdícios, bem como a habilidade de manter a liderança industrial
na introdução de novos produtos rentáveis ou na diversificação de
produtos.
Segundo Brimson (1996, p. 18), "as manifestações mais visíveis de um
fabricante de sucesso neste novo ambiente são o aumento de automação e
informatização, a redução de mão-de-obra direta e de estoques, a maior
atenção ao produto e planejamento da produção e ciclos de vida do
produto mais curto. A revolução é baseada nas novas filosofias de
manufatura, gerenciamento de qualidade e planejamento dos recursos de
manufatura, juntamente com a implantação cuidadosa de tecnologias
avançadas".
A competitividade tem levado as empresas a reverem suas formas de
organização. Empresas multinacionais lançam-se em projetos de
racionalização de estruturas em nível mundial. Esse processo é conhecido
por produção global ou globalização, cujo principal propósito é buscar o
grau máximo de eficiência operacional. Para tanto, analisa-se o
desempenho de todas as unidades fabris, procurando-se concentrar nas
mais eficientes a produção que deverá atender à demanda em níveis
globais (Robles Jr., 1994).
A globalização também visa a fabricação de um produto que satisfaça mais
consumidores de uma forma mais abrangente. É a maneira que as
multinacionais têm encontrado para enfrentar a concorrência de pequenas
empresas, porém com alto padrão de eficiência.
Para manter-se à frente da concorrência, as empresas precisam ter
informações que permitem o entendimento necessário dos fatores que elas
podem influenciar. Brimson (1996, p. 20), coloca que "a gerência deve
exercer uma pressão constante em toda a empresa por reduções de custos
mensuráveis e ganhos de produtividade".
Os princípios de gestão de negócios estão mudando: portanto, os
procedimentos de controle e medição da eficácia de desempenho necessitam
ser revisados. Mercados globais significam concorrentes globais onde há
alta qualidade, baixos custos e atendimento total ao cliente. As
empresas já estão fazendo altos investimentos para atender e satisfazer
seus consumidores.
As empresas que não acompanharem a essas evoluções, serão obrigadas a
se reposicionar ou a encerrar suas atividades. Em face destas mudanças,
muitos começam a questionar-se sobre como deveria ser uma moderna
técnica de apuração dos custos que lhes permitissem gerir e decidir
sobre seus negócios.
No que se refere as mudanças (Ching, 1995, p. 13), comenta que "assistimos
no momento a três revoluções simultâneas no mercado. A primeira é
econômica, e pode ser percebida pelo surgimento de blocos econômicos,
transferência de riqueza e globalização dos mercados.
A segunda é tecnológica; ela possibilitou o aumento da
produtividade das fábricas e escritórios e permitiu gerir a empresa com
menor número de funcionários. A terceira é administrativa; através dela
notamos que a qualidade e o aumento de produtividade vêm juntos em
primeiro lugar. Os empregos foram absorvidos pelas novas tecnologias e
pela busca de maior produtividade, uma necessidade para qualquer empresa
envolvida em concorrência árida".
Segundo a Price Waterhouse (1993, p. 159), "o empresário tem que
equipar-se para utilizar todos os recursos tecnológicos e humanos
disponíveis da melhor forma e no sentido amplo do conceito, ou seja,
melhor qualidade, menor custo, máximo aproveitamento e sem desperdícios".
Do empresário é requerido o conhecimento e o contínuo acompanhamento dos
negócios de seu ramo de atividade.
Para isso, conforme a Price Waterhouse (1993) é necessário adequado
embasamento teórico e prático sobre as metodologias de custeio. É
preciso aplicar recursos em qualidade, informações, tecnologias e
especialização. É preciso aplicar recursos em treinamento. E,
finalmente, na maior parte dos casos é necessário contar com o suporte
de especialistas, quer sejam eles internos ou externos em relação à
organização.
Para sobreviver, as empresas têm que ser susceptíveis a mudança. A
habilidade para avaliar decisões passadas, reagir à situações presentes
e predizer eventos futuros pode ser vista como fator crítico de sucesso.
5 - IMPLICAÇÃO DAS MUDANÇAS NA CONTABILIDADE GERENCIAL
Mudanças importantes na tecnologia, como a substituição do tradicional
departamento produtivo em linha, em que apenas uma fase do processo de
produção era completada pela "célula", na qual os operários completam
todas as fases de fabricação de um produto, o esforço de diminuir
inventários, bem como a necessidade de eliminar atividades que não
adicionam valor aos produtos, fizeram com que alguns conceitos e
técnicas de custeio viessem a ser contemplados como mais capazes de
evidenciar os custos de produção e de produtos do que as tradicionais
técnicas de custeio.
Hoje, a necessidade de um sistema contábil nas empresas é uma realidade.
O sistema deve possibilitar um controle eficaz e fornecer à
administração todas as informações concernentes à situação patrimonial e
financeira, e aos resultados obtidos.
Li (1977), menciona que a medida que a Contabilidade tem evoluído e
ampliado o seu alcance, tornou-se parte essencial de todos os fins
empresariais. Preocupa-se com o que aconteceu, com o que acontece e com
o que se pode esperar que aconteça, portanto, tornou-se indispensável à
administração, para assegurar que controles e planejamentos apropriados
produzem operações lucrativas.
Neste contexto, a visão da empresa como um todo e a definição das
necessidades representam as premissas básicas para a eficácia do
processo. Cabe ressaltar, mais uma vez, a importância da participação do
Contador, por ser a Contabilidade uma área de intensa interação com as
demais.
Segundo Sá (1994, p. 25), "a administração e a contabilidade tenderão a
um avizinhamento extremo, o processo decisório far-se-á mediante modelos
contábeis. O futuro, cada vez mais, estará nas mãos dos cientistas da
Contabilidade".
Neste sentido, Spanholi (1994, p. 5) enfoca que "o profissional, até
mesmo graduado, terá de começar a reaprender para usar o seu intelecto
de forma diferente, utilizando a criatividade, a lógica e o sinergismo.
Cabe, portanto, indagar: até quando vamos ignorar esta realidade?
Precisamos repensar a função da contabilidade nos moldes tradicionais e
as novas especialidades profissionais".
Segundo Silva (1994, p. 27), "as organizações cresceram, o sistema
econômico tornou-se complexo, evoluindo também a Contabilidade".
Os informes da contabilidade gerencial, não raras vezes, são de pouca
valia para os gerentes operacionais, no seu empenho de reduzir custos e
melhorar a produtividade. Tais informes afetam, com freqüência, a
produtividade, por demandarem os gerentes operacionais tempo tentando
entender e explicar divergências apresentadas, pouco a ver com a
realidade econômica e tecnológica de suas operações.
Nestes termos, Johnson & Kaplan (1993), fortalecem esta idéia de que
sistemas de contabilidade gerencial podem e devem ser projetados em
apoio às operações e estratégias da organização.
A tecnologia existe para implementar sistemas radicalmente diferentes
dos hoje em uso. O que falta é conhecimento. Mas tal conhecimento pode
emergir da experimentação e da comunicação. O espírito inovador visível
há cem anos, no princípio do movimento de administração científica, pode
ser recuperado por gerentes inovadores e pesquisadores acadêmicos
comprometidos com o desenvolvimento de novos conceitos no projeto de
sistemas de contabilidade gerencial relevantes.
Esses aspectos devem ser de conhecimento do contador gerencial, e grande
parte deles deverá estar presente no sistema de informação contábil,
dentro dos aspectos peculiares da empresa. Cada empresa tem seus
produtos, sua tecnologia de produção, administrando-a dentro de
conceitos que julga mais adequados a sua realidade produtiva, e trabalha
dentro de uma filosofia de qualidade gerencial e de produtos, que deve
permear por toda a empresa.
Isto conduziu os profissionais da Contabilidade a redesenhar seus
sistemas de informações gerenciais, incorporando novos conceitos que
melhor retratam as alterações nos métodos de administração de produção.
Spanholi (1994, p. 7) diz que "o impacto provocado pelas mudanças
tecnológicas é um fenômeno presente, não só na contabilidade, mas em
todos os segmentos da sociedade. Não há volta; é um processo
irreversível".
Portanto, a Contabilidade Gerencial deve consistir de um sistema de
informações atualizadas. Lago (1996, p. B-02) comenta que "todos nós
temos de tomar decisões financeiras, diariamente, e para tanto é
imprescindível dispormos das mais atualizadas informações".
6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este artigo, pretendeu-se evidenciar a constatação do revigoramento
da Contabilidade, como um sistema de informação de eventos e transações
econômicas das empresas, no atual cenário de competição global.
A empresa do mundo moderno mudou suas estratégias; a globalização dos
mercados e a alta competitividade fizeram com que ela evoluísse em
níveis de alta eficiência, em que a especialização passou a constituir
uma de suas características mais relevantes. Os estudos sobre a empresa
delineiam, atualmente, previsões de administração estratégica e
atividades até pouco tempo atrás desconhecidas, como a reengenharia de
processos e o enfoque da qualidade total (Casanova e Vargas, 1995).
Quanto as mudanças, Kanitz (1977), diz que o mundo está mudando de
maneira contínua, mais rápida e imprevisivelmente. Se hoje temos uma
idéia do que controlar, nada é possível afirmar em relação ao futuro
imediato.
Em se falando de mudanças, Nakagawa (1993) ressalta que, em tal cenário,
o modelo de decisão das empresas requer a mais perfeita e completa
integração de todas as áreas funcionais, e a Controladoria desponta como
o principal responsável pela disponibilidade na empresa de um sistema de
informações que suporte adequadamente tal modelo de decisão.
Diz ainda que, pode-se afirmar que hoje a Contabilidade já tem a sua resposta às necessidades informativas das empresas que estão adotando as tecnologias avançadas de produção.
Cabe tão-somente aos Contadores a responsabilidade de se integrarem
efetivamente na equipe que toma as principais decisões da empresa, para
disseminar e implementar os conceitos e sistema de gestão.
Neste sentido, Coopers & Lybrand (1993, p. 184), focalizam que a
contabilidade como ciência está preparada para analisar, registrar e
gerar dados e informações: cabe entretanto, aos profissionais desta área
reciclarem seus conceitos com o intuito de apresentarem um modelo que
melhor indique a realidade da manufatura diante da economia, podendo,
desta forma, apresentar resultados fidedignos.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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