Chegamos a “era da revolução ambiental”, e o ambiente não somente
aparece como um conjunto de problemas relativos ao controle da
contaminação, mas representa um custo no crescimento econômico.
Neste sentido, o contador precisa de uma formação que se estenda além
dos limites das técnicas e dos procedimentos. É necessário acrescentar o
registro contábil do meio ambiente, dada a velocidade de sua afetação e
a influência do mundo atual na utilização e disposição dos recursos
naturais. Deve ser considerado como um dos princípios contábeis, onde é
um desafio para a contabilidade. Precisa ser considerada como uma
ciência contábil integrada, pois com a ciência ecológica e outras
ciências são responsáveis pela natureza onde devem ser aplicados
critérios de proteção ambiental, demonstrando que os recursos naturais
constituem nosso principal capital.
Partindo dessa premissa é que este trabalho está enfocando os seguintes
tópicos: Responsabilidade Social da Empresa; A Empresa e o Meio
Ambiente; Gestão Ambiental; Sistema de Gestão Ambiental; Ações para
Preservar o Meio Ambiente - O Protocolo Verde, A Contabilidade, Custos
Ambientais, Ativo Ambiental, Passivo Ambiental, Patrimônio Ambiental,
Contabilidade Ambiental e Contabilidade Ambiental – o Passaporte para a
Competitividade.
1 – INTRODUÇÃO
O maior desafio, quando se trata de discutir a questão ambiental, é o de
compatibilizar o crescimento econômico com a preservação ambiental.
Neste sentido RIBEIRO & MARTINS (1998; p.5) dizem que as demonstrações
contábeis podem ser o canal adequado para tais evidencias,
principalmente porque nestes estão contidos todas as informações
pertinentes à situação patrimonial e desempenho da empresa em um
determinado período.
A adição das informações de natureza ambiental viria a enriquecer
tais demonstrações, como também permitiria aos usuários melhores
condições de acesso à informação para avaliar a grandeza dos
investimentos ambientais comparativamente ao patrimônio e aos resultados
no período.
Portanto, a participação da contabilidade é de extrema importância, pois
vai despertar o interesse para as questões ambientais, ajudando a classe
empresarial a implementar em sua gestão empresarial a variável
ambiental, não apenas para constar na legislação, mas por uma verdadeira
conscientização ecológica.
Porém está aí o desafio para nós, contadores, fazer uma contabilidade
adequada ao um modelo ambiental, integrada e competitiva que compreenda
movimentos econômicos, movimentos operativos e movimentos ambientais.
2 – RESPONSABILIDADE SOCIAL DA EMPRESA
Cada vez mais ganha vigor e atualidade a discussão sobre o papel das
empresas como agentes sociais no processo de desenvolvimento. Neste
sentido, SUCUPIRA (2000) refere que torna-se fundamental que assumam não
só o papel de produtoras de bens e serviços, mas também o de responsável
pelo bem-estar de seus colaboradores.
A responsabilidade social implica um sentido de obrigação para com a
sociedade. Segundo DONAIRE (1999; p. 20), esta responsabilidade assume
diversas formas, entre as quais se incluem proteção ambiental, projetos
filantrópicos e educacionais, planejamento da comunidade, equidade nas
oportunidades de emprego, serviços sociais em geral, de conformidade com
o interesse público.
Devido a crescente e assustadora degradação ambiental, as empresas
sentem-se obrigadas a incorporar aos objetivos de obtenção de lucros a
responsabilidade social, visto que a continuidade, como um todo, e a
referida responsabilidade social abrangem o bem-estar da população na
sua integridade.
Para proporcionar o bem-estar da população, as empresas necessitam, de
acordo com MARTINS & RIBEIRO (1995; p. 2), empenhar-se na: manutenção de
condições saudáveis de trabalho, segurança, treinamento e lazer para
seus funcionários e familiares; contenção ou eliminação dos níveis de
resíduos tóxicos, decorrentes de seu processo produtivo e do uso ou
consumo de seus produtos, de forma a não agredir o meio ambiente de
forma geral; elaboração e entrega de produtos ou serviços, de acordo com
as condições de qualidade e segurança desejadas pelos consumidores.
Os mesmos autores dizem ainda que o reconhecimento da responsabilidade
social para com o meio ambiente foi a tarefa mais difícil e demorada
para ser assumida pelas empresas. Esta resistência se deveu, entre
outros, aos seguintes fatores:
- altos custos: os custos para aquisição de tecnologias necessárias para
contenção, redução ou eliminação de resíduos tóxicos, como todo processo
tecnológico em desenvolvimento, eram bastantes elevados, o que gerava um
forte impacto no fluxo de caixa das empresas e, numa visão superficial,
sem proporcionar reflexos positivos, em termos de receitas;
- inexistência de legislação ambiental ou de rigor nas já existentes: a
legislação sobre o assunto é relativamente recente, sendo que as
penalidades contidas nas mais antigas não serviam como instrumento
inibidor para seus infratores, dado que era menos oneroso para a empresa
arcar com os encargos de uma multa do que adquirir equipamentos
antipoluentes;
- os movimentos populares não eram fortes e coesos o bastante para unir
e conscientizar toda a sociedade;
- os consumidores não associavam a atuação e comportamento da empresa ao
consumo de seus produtos.
Devido a incontestável realidade, muitas empresas utilizavam tais
investimentos como elementos de marketing, para demonstrar a sua
preocupação com o meio ambiente, fazendo projeção de sua imagem com a de
seus produtos junto à sociedade. Portanto, esta política de marketing
tornou-se um fator competitivo entre as empresas concorrentes.
3 – A EMPRESA E O MEIO AMBIENTE
O crescimento constante da população e o desenvolvimento econômico estão
permanentemente ameaçando o ambiente, o que vem levando empresas a
descobrir novas áreas de atividades relacionadas à produção de artigos
que preservam a ecologia.
FRANCO (1999; p. 38) refere que empresas que protegem o meio ambiente
são bem vistas pelo consumidor e por investidores, já havendo, em alguns
países, fundos especializados em investir em empresas que protegem o
ambiente. Esses fundos têm crescido e apresentado rentabilidade, porque
as empresas são também mais lucrativas.
Quais as causas desses resultados? Primeiro, a redução de custos, pela
utilização de normas de ISO 14001. Tais padrões visam garantir a
preservação da natureza e, conseqüentemente, assegurar o desenvolvimento
sustentável.
As empresas que ignoram esses padrões, especialmente aquelas cujas
atividades trazem danos ao meio natural, são severamente punidas, sendo
pena maior a imposta pelos consumidores que procuram deixar de adquirir
seus produtos, dando, assim, preferência às corporações que primam pela
preservação ambiental.
Outro exemplo típico é a reciclagem de materiais, que também traz
vantagens, em muitos casos. O segundo elemento, para explicar tal fato,
é a redução de riscos de poluição, que poderiam prejudicar as empresas
no futuro. Se todas atenderem a programas de antipoluição, eliminarão a
necessidade de enfrentar riscos futuros. Acionistas e investidores dão
preferência às empresas sem riscos futuros.
A preocupação com o meio ambiente vem alterando profundamente o estilo
de administrar. BARBIERI (2000; p.03) preconiza metas de produção e
vendas. As empresas estão incorporando procedimentos para redução de
emissão de afluentes, reciclagem de materiais, atendimento a situações
de emergência e, até mesmo, análises do ciclo de vida dos produtos e de
seu impacto sobre a natureza.
Plantas industriais ganham modernos equipamentos de controle. O mesmo
autor refere ainda que equipes começam a ser treinadas permanentemente
para seguir processos e normas de segurança em todas as fases da
operação, da utilização de matérias-primas ao transporte e entrega dos
produtos. Novos processos e tecnologias permitem uma produção mais limpa,
praticamente sem resíduos.
Pesados investimentos vêm sendo feitos em projetos de educação e
preservação ambiental.
Portanto, a necessidade de se preservar o meio ambiente deixou de ser
preocupação isolada de grupos ambientalistas e de organizações não-governamentais.
A humanidade já se conscientizou de que a sobrevivência de todos depende
da preservação do meio ambiente.
4 – GESTÃO AMBIENTAL
Para que as organizações equacionem seu envolvimento com a questão
ambiental, precisam incorporar no seu planejamento estratégico e
operacional um adequado programa de gestão ambiental, compatibilizando
os objetivos ambientais com os demais objetivos da organização.
DONAIRE (1999; p. 108) afirma que esses programas de gestão ambiental
estabelecem atividades a serem desenvolvidas, a seqüência entre elas,
bem como quem são os responsáveis pela sua execução. Normalmente devem
abranger os aspectos ambientais mais importantes e buscar uma melhoria
contínua, ampliando seu escopo de atuação com o passar do tempo. Devem
possuir dinamismo e flexibilidade suficientes para se adaptar à mudanças
que podem ocorrer tanto no seu ambiente imediato quanto no seu ambiente
futuro.
Neste sentido, a gestão ambiental tem se configurado com uma das mais
importantes atividades relacionadas com qualquer empreendimento.
ANTONIUS (1999; p. 3) revela que, de modo geral, o gerenciamento
ambiental pode ser conceituado como a integração de sistemas e programas
organizacionais que permitam: a) o controle e a redução dos impactos no
meio ambiente, devido às operações ou produtos; b) o cumprimento de leis
e normas ambientais;
c) o desenvolvimento e uso de tecnologias apropriadas para minimizar
ou eliminar resíduos industriais; d) o monitoramento e avaliação dos
processos e parâmetros ambientais; e) a eliminação ou redução dos riscos
ao meio ambiente e ao homem; f) a utilização de tecnologias limpas (Clean
Technologies), visando minimizar os gastos de energia e materiais; g) a
melhoria do relacionamento entre a comunidade e o governo; h) a
antecipação de questões ambientais que possam causar problemas ao meio
ambiente e, particularmente, à saúde humana.
5 – SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL - SGA
Um sistema de gestão ambiental pode ser definido como um conjunto de
procedimentos para gerir ou administrar uma organização, de forma a
obter o melhor relacionamento com o meio ambiente.
Verifica se funcionam conforme previsto através de análise crítica e
periódica modificando o sistema, caso não esteja funcionando de modo
satisfatório, buscando a adoção de novas medidas e procurando sempre
melhoria contínua.
No que tange às vantagens da empresa, MAIMON (1996; p. 72) afirma que em
termos organizacionais, os parâmetros relacionados ao meio ambiente
passam a ser levados em conta no planejamento estratégico, no processo
produtivo, na distribuição e disposição final do produto. Há uma mudança
comportamental em todos os níveis da empresa e uma legitimidade da
responsabilidade ambiental.
Estes sistemas, por definição, sistematizam todas as etapas e processos
envolvidos com o desenvolvimento das atividades corporativas, desde a
contratação de recursos humanos até a distribuição dos bens e produtos
almejados. Desta forma, é possível tornar as etapas de trabalho mais
inteligentes, mediante a priorização de metas e prazos, e a uma
utilização mais racional dos recursos disponíveis.
Segundo QUEIROZ (2000; p.79), implementar processos de gestão
possibilita, ainda, controlar o rendimento e a adequação de recursos
humanos e materiais aos processos de trabalho internos, e disponibilizar
informações aos setores envolvidos – fornecedores, clientes,
investidores, de forma mais ágil, transparente e livre de vícios. Apesar
de demandarem determinados custos e investimentos, trazem um rápido
retorno às empresas, tanto pela economia obtida pela racionalização,
quanto pela otimização de níveis de eficiência agregados aos bens e
serviços.
Para que seja estabelecido um Sistema de Gestão Ambiental deverão ser
identificados todos os aspectos pertinentes às atividades, produtos e
serviços das organizações e os impactos significativos que poderão
provocar no meio ambiente.
Essa identificação pode ser realizada através de uma revisão inicial,
englobando pelos menos as seguintes áreas: Legislação e outros
instrumentos legais e normativos; Aspectos ambientais; Análise das
práticas e procedimentos de gestão ambiental; Avaliação dos incidentes/acidentes
prévios.
A implantação do Sistema de Gestão Ambiental se dá em cinco etapas
sucessivas e contínuas, pontuadas por MAIMON (1995; p. 72), que são:
Política Ambiental da organização; Planejamento; Implementação e
Operação; Monitoramento e Ações Corretivas; e Revisões no gerenciamento.
Todas essas etapas buscam a melhoria contínua, ou seja, um ciclo
dinâmico no qual está se reavaliando permanentemente o sistema de gestão
e procurando a melhor relação possível com o meio ambiente.
6 – AÇÕES PARA PRESERVAR O MEIO AMBIENTE - O PROTOCOLO VERDE
Na década de 70, surgiram, em várias partes do mundo, movimentos
organizados que passaram a discutir os problemas para minimizar impactos
ambientais negativos, inclusive os decorrentes de atividades econômicas,
de modo especial, os originados nas industriais.
Realizou-se, em 1972, a 1ª Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente,
das Nações Unidas, em Estocolmo na Suécia. Foi a primeira conferência
internacional das Nações Unidas que tratou das relações entre o homem e
o meio ambiente, e poluição foi a palavra-chave desse encontro. A ONU
criou um mecanismo institucional para tratar de questões ambientais –
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Em 1975, foi realizado, em Belgrado, um Seminário Internacional de
Educação com a participação de vários países, resultando a Carta de
Belgrado, estabelecendo que qualquer ação de preservação ambiental
deveria, primeiramente, passar por uma educação ambiental.
Destaca-se, nos anos 80, o manifesto Nosso Futuro Comum ou Relatório
Brundtland, do Conselho Mundial de desenvolvimento e Meio Ambiente da
ONU, onde foi fixado o conceito de desenvolvimento sustentável.
A ISO – Organização Internacional para a Padronização, no início dos
anos 90 na Inglaterra, tendo como finalidade elaborar normas
internacionais de proteção ao meio ambiente, constitui o Grupo
Estratégico Consultivo sobre o Meio Ambiente. As principais normas
ambientais no Brasil são: Avaliação do processo: ISO 14.001 – Sistema de
Gestão Ambiental; ISO 14.010 – Auditoria Ambiental; ISO 14.030 –
Avaliação de Perfomance Ambiental e quanto a Avaliação do Produto: ISO
14.020 – Rotulagem Ambiental e ISO 14.040 – Análise do Ciclo de Vida.
Em 1992, realizou-se a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento – CNUMAD também chamada de ECO-92, na cidade do Rio de
Janeiro, tendo como objetivo elaborar estratégias que interrompessem e
revertessem os efeitos da degradação ambiental, bem como promover o
desenvolvimento sustentável, num ambiente saudável, em todos os países.
Várias iniciativas, tanto por parte do governo como iniciativa privada,
surgiram no Brasil, para implementar ações propostas por seminários que
trataram da proteção, gestão e controle do meio ambiente, devido ao
crescimento da consciência ambiental.
Segundo REBOLLO (2001; p. 16), um exemplo significativo ocorreu em 1995,
quando o Governo Federal, através de Ministérios e bancos oficiais
brasileiros, firmaram o chamado Protocolo Verde, incorporando a variável
ambiental na gestão e concessão de crédito oficial e de benefícios
fiscais no sentido de buscar mecanismos que evitem a utilização destes
benefícios em atividades que sejam prejudiciais ao meio ambiente. Este
Protocolo está em consonância com o dispositivo constitucional previsto
no Art. 225, o qual prescreve que cabe ao poder público e a coletividade
defender e preservar o meio ambiente, e o a Art. 12, da Lei nº 6.938, de
1981, que institui a Política Nacional do Meio Ambiente.
O mesmo autor diz ainda que os bancos oficiais brasileiros,
participantes do Protocolo Verde, através da carta de Princípios para o
Desenvolvimento Sustentável, reconhecem que podem cumprir um papel
indispensável na busca de um desenvolvimento sustentável e de uma
contínua melhoria no bem-estar da sociedade e da qualidade do meio
ambiente. Nesta carta, os bancos apresentam um conjunto de Princípios
Gerais do Desenvolvimento Sustentável.
O Protocolo Verde é um acordo assinado entre o IBAMA e o BNDES e alguns
outros bancos governamentais, cujo objetivo é subsidiar a aquisição de
tecnologias antipoluentes. De acordo com RIBEIRO & MARTINS (1998; p.3),
os recursos obtidos por meio deste programa exigem que a empresa
elabore, previamente, uma EIA – Estudo de Impactos Ambientais e,
periodicamente, um RIMA – Relatório de Impacto ao Meio Ambiente, fato
que auxilia a empresa no seu auto-conhecimento, além de comprometê-la na
melhoria do seu sistema operacional, tornando-o ambientalmente saudável.
7 – A CONTABILIDADE
Sendo a contabilidade um excelente instrumento de identificação,
registro, acumulação, análise, interpretação e informação das operações
empresariais aos sócios, acionistas e investidores em geral, além dos
administradores, obviamente, ela se configura, conforme QUEIROZ (2000;
p. 81), como o melhor mecanismo de gestão disponível ao empresariado,
cujos resultados apurados podem ser tornados visíveis à sociedade, com
relativa facilidade, mediante a apresentação de balanços mais complexos,
que incluam, em seu corpo, as respostas aos questionamentos sociais.
KROETZ (2000; p. 24) assinala que, entendendo a contabilidade como uma
ciência social, é vital compreendê-la como um sistema aberto, sendo
importante verificar a caracterização e a evolução da teoria Geral dos
Sistemas, que nasceu da necessidade de se ter uma teoria maior, a da
totalidade, que pudesse não só aglomerar, de forma organizada, pequenas
células, mas também procurando situá-la num sistema maior, objetivando a
resolução de problemas.
A contabilidade é uma enorme fonte de registro, interpretação e
informação de dados empresariais e governamentais, deve também, passar a
preocupar-se com o retorno a ser dirigido a toda a sociedade, conforme
disse o presidente da França, Jacques Chirac, em seu discurso na sessão
plenária de encerramento do XV Congresso Mundial de Contadores, em 1997:
“.
..A profissão contábil desempenha um papel fundamental na
modernização e internacionalização de nossa economia. Isso porque vocês
não se restringem a cuidar de contas. Vocês são conselheiros e, às vezes,
confidentes das administrações de companhias, para que têm um importante
papel a desempenhar, especialmente em assuntos sociais e tributários.
Vocês orientam pequenas e médias empresas em sua administração,
simplificando as alternativas, que ainda são demasiado complexas. Vocês
desempenham, portanto, um papel no desenvolvimento das possibilidades de
emprego, o que merece um especial registro de reconhecimento...”.
O propósito de toda ciência é produzir conhecimento e evidenciar sua
utilidade. Não obstante isso, KROETZ (2000; p.31) enfatiza que nas
ciências sociais a teorização do saber deve necessariamente transcender
seu objetivo, buscando o bem-estar social, isto é, agindo como uma
mediadora para que a sociedade se desenvolva, possibilitando a igualdade
entre os homens. Por sua vez, a Contabilidade traz essa preocupação por
meio de suas leis, princípios, teorias, métodos, instrumentos etc.,
buscando a demonstração da realidade patrimonial e, principalmente, a
relação dela com o ambiente social.
8 – CUSTOS AMBIENTAIS
Os Custos Ambientais representam todo empenho, todo o esforço direta ou
indiretamente vinculado a qualquer gasto, independentemente de
desembolso, relativo a bens ou serviços que visem, única e
exclusivamente a preservação do meio ambiente.
Na visão de CAMPOS (1999), é um termo, ainda hoje, de difícil
conceituação, pois a literatura não apresenta uma definição clara e
objetiva do que se considera como um custo ambiental. Para RIBEIRO
(1998; p. 5), os custos ambientais são representados pelo somatório de
todos os custos dos recursos utilizados pelas atividades desenvolvidas
com o propósito de controle, preservação e recuperação ambiental, em que
as atividades serão aquelas objetivamente identificáveis como
relacionadas ao controle, preservação e recuperação do meio ambiente.
A identificação dos custos ambientais ainda é de difícil tarefa, já que
não temos como mensurar muito de seus componentes, tido até hoje como
intangíveis. Ocorre na verdade, mais uma identificação e mensuração dos
custos referentes aos externalidades, ocasionadas pelos impactos
decorrentes da má utilização do meio ambiente, ou a apuração dos custos
envolvidos na preservação do meio ambiente.
Esses poderão ser incorporados ao custo total, à medida que vão
ocorrendo, para as empresas que realmente adotam uma gestão ambiental
eficiente.
São considerados os custos ambientes sob os aspectos do bem-comum,
julgando-se o meio ambiente sem proprietário e o uso dos seus recursos
naturais no processo de produção, sem agregá-lo ao seu custo total o
custo ambiental gerado. Cita-se, como exemplo, uma construtora utiliza a
água diretamente retida de uma lagoa para construção de suas obras e não
agrega ao custo final da obra essa água utilizada, por considerá-la um
bem público.(www.cfc.org.br 2000; p.6)
Sob o aspecto custo social, trata-se dos custos decorrentes das
externalidades como os anteriores, porém a sociedade, neste caso, paga
pelo custo monetário em si e é prejudicada em decorrência dos resíduos
expelidos no processo produtivo, devendo arcar também com este custo,
que não será incorporado por quem o produziu, como por exemplo, a fumaça
de uma fábrica, que contribui para a proliferação de doenças
respiratórias.
8.1 – Classificação dos Custos Ambientais
Os custos ambientais classificam-se sob os seguintes aspectos, (www.cfc.org.br
2000; p.6):
Custos de Prevenção – destinados à redução da quantidade de poluentes
expelidos no processo produtivo. Exemplo: investimentos em tecnologias
limpas.
Custos de Controle – destinam-se a manter as agressões ambientais dentro
dos limites estabelecidos anteriormente. Exemplo: verificação periódica
dos níveis de poluição.
Custos de Correção – destinam-se às recuperações decorrentes dos danos
causados ao meio ambiente. Exemplo: reflorestamento de áreas devastadas.
Custos de Falhas – referem-se aos custos de falhas ocorridas no processo
de redução, controle e correção da agressão ao meio ambiente. Exemplo:
multas, sanções.
Custos das Externalidades – decorrem dos impactos gerados pelas
empresas, que poderão no futuro, vir se tornar importantes. Exemplo:
danos causados à saúde pela poluição atmosférica.
8.2 – Incorporação dos Custos Ambientais
Os custos ambientais, podem ser incorporados através dos seguintes
mecanismos econômicos (www.cfc.org.br 2000; p.6):
Mecanismos de Taxação – atende ao princípio poluidor e pagador, aquele
que polui, ressarce a sociedade o prejuízo causado.
Mecanismos de Crédito – o governo fixa a emissão de créditos, e as
empresas que menos poluírem ganharão créditos, que poderão ser vendidos
para as empresas mais poluidoras.
Mecanismos de Benefícios – criam-se benefícios para as empresas que mais
investirem no controle ambiental.
Portanto, verifica-se que a não incorporação dos custos ambientais ao
custo dos produtos, poderá ocasionar ao meio ambiente sérias
conseqüências, já que as empresas continuarão sua trajetória,
desconsiderando a utilização dos bens públicos, e no futuro, quando
passar a existir um controle rígido, por essas atitudes, ela se deparará
com custos ainda desconsiderados em seu produto, podendo vir a torná-lo
pouco competitivo. (www.cfc.org.br 2000; p.7)
Os custos ambientais podem ter origem nos insumos requeridos para
eliminar a produção de resíduos poluentes durante e após o processo
produtivo, como exemplo, citado por RIBEIRO & GRATÃO (2000; p.4),
produtos químicos utilizados para purificação das águas residuais do
processo de tintura de tecidos, ou para tratamento dos gases a serem
expelidos no ar. Podem ainda ser originários da depreciação dos
equipamentos e máquinas utilizados para controle e preservação do meio
ambiente. Outra fonte de custos ambientais pode ser a necessidade de
tratamento e recuperação de áreas degradadas pela ação da companhia. De
uma forma geral, os custos ambientais provêm dos sistemas de
gerenciamento ambiental.
Os custos ambientais devem ser reconhecidos no período em que forem
identificados pela primeira vez. Em alguns casos um custo ambiental pode
estar relacionado a danos que ocorreram em períodos anterior. Por
exemplo, danos ambientais causados a uma propriedade antes de sua
aquisição, um acidente acontecido em período anterior e que agora requer
limpeza, disposição ou tratamento de um lixo tóxico criado em um período
anterior.
9 – ATIVO AMBIENTAL
Os Ativos Ambientais representam os estoques dos insumos, peças,
acessórios, etc. utilizados no processo de eliminação ou redução dos
níveis de poluição; os investimentos em máquinas, equipamentos,
instalações, etc., adquiridos ou produzidos com intenção de amenizar os
impactos causados ao meio ambiente; os gastos com pesquisas, visando o
desenvolvimento de tecnologias modernas, de médio e longo prazo, desde
que constituam benefícios ou ações que irão refletir nos exercícios
seguintes.
Ativos Ambientais são os bens adquiridos pela companhia que têm como
finalidade controle, preservação e recuperação do meio ambiente. Neste
sentido, RIBEIRO & GRATÃO (2000; p.4) dizem que recebem tal
classificação parte dos estoques, especificamente aqueles destinados à
finalidade referida.
Tais estoques podem ser compostos por insumos que serão utilizados
diretamente no processo produtivo, principalmente pelos que serão
utilizados diretamente no processo produtivo, para eliminar, durante os
procedimentos operacionais, o surgimento de resíduos poluentes. Podem
ser itens que serão consumidos pós-operação, de forma a realizar a
limpeza dos locais afetados ou a purificar os resíduos produtivos, como
as águas, os gases, os resíduos sólidos que serão depostos, de alguma
forma, no meio ambiente natural.
Existem algumas polêmicas na identificação dos ativos ambientais, devido
o surgimento das “tecnologias limpas”. Para RIBEIRO & GRATÃO (2000;
p.4), essas tecnologias compreendem novos meios de produção, dotados de
mecanismos que impedem a produção de refugos. Tratando-se de meios de
produção e transformação, são ativos operacionais propriamente ditos e
não ativos ambientais.
Os ativos operacionais podem sofrer desgaste acelerado em função de sua
exposição obrigatória ao meio ambiente poluído. Nesse caso, de acordo
com RIBEIRO & GRATÃO (2000; p.4), os efeitos do diferencial de vida
útil, provocado por tal exposição, deve ser considerado como custo
ambiental, dado que reflete as perdas decorrentes do meio ambiente
poluído. Essa situação ficará patente nos casos em que os ativos possam
ser comprados, com seus pares instalados, em ambientes menos afetados
pela poluição.
As características dos ativos ambientais são diferentes de uma
organização para outra, pois a diferença entre os vários processos
operacionais das distintas atividades econômicas devem compreender todos
os bens utilizados no processo de proteção, controle, conservação e
preservação do meio ambiente.
Os Ativos Ambientais, todos decorrentes de investimentos na área do meio
ambiente, deverão ser classificados em títulos contábeis específicos,
identificando, de forma adequada, os estoques ambientais, o ativo
permanente imobilizado ambiental e o diferido ambiental.
Os bens, cuja classificação se der no ativo permanente imobilizado
ambiental e ativo permanente diferido ambiental, exceto aqueles de vida
útil inferior a 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias, cujos valores
serão excluídos, quando da apuração do Lucro Real, estão sujeitos à
depreciação/amortização.
10– PASSIVO AMBIENTAL
Passivo Ambiental representa toda e qualquer obrigação de curto e longos
prazos, destinados única e exclusivamente a promover investimentos em
prol de ações relacionadas a extinção ou amenização dos danos causados
ao meio ambiente, inclusive percentual do lucro do exercício, com
destinação compulsória, direcionado a investimentos na área ambiental.
SPROUSE & MOONITZ, apud KRAEMER (2000; p. 22) afirmam que passivos são
obrigações que exigem a entrega de ativos ou prestação de serviços em um
momento futuro, em decorrência de transações passadas ou presentes.
Passivos ambientais, referem-se segundo MARTINS & DE LUCA (1994; p.27),
a benefícios econômicos, que serão sacrificados em função de obrigações
contraídas perante terceiros, para preservação e proteção ao meio
ambiente. Têm origem em gastos relativos ao meio ambiente, que podem se
constituir em despesas do período atual ou anteriores, aquisição de bens
permanentes, ou na existência de riscos de esses gastos virem a se
efetivar (contingências).
Os Passivos Ambientais, conforme RIBEIRO & GRATÃO (2000; p.5), ficaram
amplamente conhecidos pela sua conotação mais negativa, ou seja, as
empresas que o possuem agrediram significativamente o meio ambiente e,
dessa forma, têm que pagar vultosas quantias a título de indenização de
terceiros, de multas e para a recuperação de áreas danificadas.
As autoras colocam como exemplo: a) os gastos assumidos pela Exxon, no
caso do acidente com o petroleiro Valdez, no Alaska; b) o caso da
Petrobrás, na década de 80, no qual a região de Cubatão, no interior do
Estado de São Paulo, foi seriamente afetada pelo vazamento de óleo, que
culminou com a explosão de várias moradias; e c) mais recente, em
janeiro de 2000, o vazamento nas instalações da mesma empresa que
provocou o derramamento de milhares de litros do óleo no mar na Baía da
Guanabara, causando a morte de várias espécies de aves e peixes, além de
afetar seriamente a vida das populações locais que viviam da atividade
pesqueira.
Tais situações exigiram enormes gastos dessas empresas e, o que é
pior, gastos imediatos, sem qualquer forma de planejamento, o que afeta
drasticamente qualquer programação de fluxo de disponibilidades,
independentemente do porte da organização. Tão alto quanto os custos dos
recursos físicos necessários para a reparação dos danos provocados pelas
referidas situações, ou até mais, são os gastos requeridos para retração
da imagem da empresa e de seus produtos, essencialmente, quando tais
eventos são alvo da mídia e da atenção dos ambientalistas e ONGs.
Deve-se ressaltar que os passivos ambientais, como dizem as autoras, não
têm origem apenas em fatos de conotação tão negativa. Eles podem ser
originários de atitudes ambientalmente responsáveis como os decorrentes
da manutenção de sistema de gerenciamento ambiental, os quais requerem
pessoas (que recebem uma remuneração) para a sua operacionalização. Tais
sistemas exigem ainda a aquisição de insumos. Máquinas, equipamentos,
instalações para funcionamento, o que, muitas vezes, será feito na forma
de financiamento direto dos fornecedores ou por meio de instituição de
crédito. Esses são os passivos que devem dar origem aos custos
ambientais, já que são inerentes à manutenção normal do processo
operacional da companhia.
Para JUNIOR (1999; p.6), um Passivo Ambiental deve ser reconhecido,
quando existe uma obrigação por parte da empresa que incorreu em um
custo ambiental ainda não desembolsado, desde que atenda ao critério de
reconhecimento como uma obrigação. Portanto, esse tipo de passivo é
definido como sendo ma obrigação presente que surgiu de eventos passados.
11 – PATRIMÔNIO AMBIENTAL
O patrimônio ambiental é composto pelo conjunto dos ativos e passivos
ambientais. De acordo com RIBEIRO & GRATÃO (2000; p.7), não há que se
pensar em sua identificação física, já que os recursos próprios são
formados ao longo da existência da companhia e são utilizados
indistintamente nas mais variadas necessidades apresentadas pelo
processo operacional da empresa, não cabendo, portanto, a identificação
do capital ambiental ou das reservas de lucros ambientais.
Há sim, a possibilidade de identificação de uma Reserva de Lucros para
Contingências Ambientais, sendo, contudo, decorrente de uma situação
muito específica em que seja prevista a existência de uma significativa
e inevitável perda no futuro.
Assim, o patrimônio ambiental embora existente, não é passível de
segregação dos elementos que compõem o patrimônio líquido na sua forma
tradicional.
12 – CONTABILIDADE AMBIENTAL
A Contabilidade Ambiental surgiu em 1970, quando as empresas passaram a
dar um pouco mais de atenção aos problemas do meio ambiente.
Contabilidade Ambiental é a contabilização dos benefícios e prejuízos
que o desenvolvimento de um produto, ou serviço, pode trazer ao meio
ambiente. É um conjunto de ações planejadas para desenvolver um projeto,
levando em conta a preocupação com o meio ambiente.
Para MAIOR (2001; p. 1), a idéia de fazer uma contabilidade ambiental
dentro das empresas, ou seja, medir gastos e recursos para a produção de
bens de consumo, veio com a crise do petróleo, em 1974, quando o produto
chegou a um altíssimo custo e estava em escassez. Diz ainda que parece
que, na época, as pessoas entenderam que não é porque uma matéria-prima
é um recurso natural que ela vai durar para sempre.
A conscientização foi ainda mais reforçada quando o Clube de Roma, um
grupo formado por cientistas de todos os países, preocupados em estudar
o futuro do mundo, divulgou um relatório chamado “Limites de crescimento”,
que mostrava que se continuasse não existindo uma preocupação com a
natureza por parte das pessoas e das empresas, o mundo entraria em
estado de emergência mais rápido do que se esperava.
A Contabilidade Financeira Ambiental passou a ter status de um novo ramo
da ciência contábil em fevereiro de 1998, com a finalização do
“relatório financeiro e contábil sobre passivo e custos ambientais” pelo
Grupo de trabalho Intergovernamental das nações Unidas de Especialistas
em padrões Internacionais de Contabilidade e relatórios (ISAR – United
Nations Intergovernanmental Working Group of Experts on International
Standards of Accounting and Reporting).
JUNIOR (2000;p. 9) diz, que paralelo a este trabalho, o ISAR vem
coordenando esforços com o Comitê de Práticas de Auditoria Internacional
(IAPC – International Auditing Practices Committee), no sentido de
formalizar um conjunto de padrões de auditoria voltado para a
verificação do desempenho ambiental relatado nas demonstrações contábeis.
A Contabilidade Financeira Ambiental tem o objetivo de registrar as
transações da empresa que impactam o meio ambiente e os seus efeitos na
posição econômica e financeira da empresa que reporta tais transações,
devendo assegurar, conforme o autor acima, que: a) os custos, ativos e
passivos ambientais estejam contabilizados de acordo com os princípios
fundamentais da contabilidade, e b) o desempenho ambiental tenha ampla
transparência de que os usuários da informação contábil necessitam.
Ela se propõe a apresentar o relato ambiental de forma destacada nas
demonstrações contábeis, portanto, sua implementação depende da
definição de uma política contábil que considere a segregação dos itens
relativos aos impactos ambientais das atividades da empresa no meio
ambiente, prevendo, por exemplo, que os custos ambientais devem ser
apresentados de forma segregada, desdobrados em itens de natureza
operacional e não-operacional, e em itens recorrentes e extraordinários.
JUNIOR (2000; p.11) refere que as inovações trazidas pela Contabilidade
Ambiental estão associadas a pelo menos três temas: a) a definição do
custo ambiental; b) a forma de mensuração do passivo ambiental, com
destaque para o decorrente de ativos de vida longa; e c) a utilização
intensiva de notas explicativas abrangentes e o uso de indicadores de
desempenho ambiental, padronizados no processo de fornecimento de
informações ao público.
A Contabilidade Ambiental constitui-se numa nova especialidade da
ciência contábil com base na materialidade dos valores envolvidos. De
acordo com JUNIOR (2000; p.11), para o usuário externo da informação
contábil torna-se material toda informação que não sendo evidenciada, ou
sendo mal evidenciada, pode levá-lo a sério erro sobre a avaliação do
empreendimento e de suas tendências, o que se aplica de forma plena às
informações sobre o desempenho ambiental das empresas.
A avaliação da utilidade da Contabilidade Financeira Ambiental, segundo
o mesmo autor, deve ser realizada tendo em vista o atendimento das
finalidades que pretende atingir, que são: (a) expor o progresso da
empresa no gerenciamento das questões ambientais de forma comparada com
empresas-pares e durante o decorrer do tempo; (b) apresentar o nível de
sua exposição ao risco ambiental para a comunidade de negócios (instituições
financeiras, fundos de pensão, seguradoras e potenciais parceiros de
negócios) e para a sociedade em geral; e (c) demonstrar a capacitação
gerencial da empresa na administração de questões ambientais, e
apresentar a forma como a mesma integra essas questões à sua estratégia
geral de longo prazo.
Inicialmente é de fundamental importância ressaltar que a “Contabilidade
Ambiental” ou a “Contabilidade do Meio Ambiente”, não tem como objetivo
o registro, o controle e a apresentação do “Balanço”, única e
exclusivamente como uma outra forma distinta de demonstrar as transações
que possam causar ou vir a causar qualquer modificação na posição
econômico-financeira da pessoa jurídica, mesmo porque, se assim fosse,
bastaria que invocássemos os Princípios Fundamentais de Contabilidade,
transcritos na resolução do Conselho Federal de Contabilidade de nº 750,
de 29 de dezembro de 1993, de adoção obrigatória
no exercício da profissão.
13 – CONTABILIDADE AMBIENTAL – O PASSAPORTE PARA A COMPETITIVIDADE
A gestão ambiental começa a ser encarada como um assunto estratégico
dentro das organizações e isso tem se tornado um fator importante de
competitividade. Um estudo realizado pela BAXTER, uma das gigantes
indústrias farmacêutica dos Estados Unidos (Empresa & Ambiente, 2000),
revela que cada dólar aplicado em programas voltados para o meio
ambiente traz uma economia financeira de três a cinco vezes o seu valor.
Isto provocou uma mudança no comportamento das empresas em relação ao
meio ambiente, fazendo aumentar os investimentos em gestão ambiental nos
últimos anos.
A Contabilidade do Meio Ambiente tem crescido de importância para as
empresas em geral, porque a disponibilidade ou escassez de recursos
naturais e a poluição do meio ambiente tornaram-se objeto do debate
econômico, político e social em todo o mundo.
Continuamente, estão sendo feitos progressos no sentido de se proteger o
meio ambiente e reduzir, prevenir ou mitigar os efeitos da poluição, e,
em conseqüência, há uma tendência das empresas em abrir para a
comunidade uma grande quantidade de dados sobre uma política ambiental,
seus programas de gerenciamento ambiental e o impacto de seu desempenho
ambiental em seu desempenho econômico e financeiro.
A gestão ambiental oferecerá à empresa oportunidades de adicionar valor
e, possivelmente, obter vantagem competitiva por meio da percepção
pública, economia de custos ou rendimentos adicionais, enquanto alivia
os efeitos de seus produtos e processos produtivos no ambiente.
Uma empresa que reconhece suas responsabilidades ambientais, conforme
autor desconhecido (2000; p.3), deverá diminuir seu risco financeiro
futuro resultante de incidentes ambientais. Ao mesmo tempo, esta empresa
deverá pagar menores prêmios de seguro em conseqüência do menor risco.
Uma taxa de risco ambiental baixa também pode assegurar à empresa
menores taxas de juros na captação de recursos.
Portanto, a empresa que demonstrar que está avançada em termos de uso de
tecnologias ambientalmente amigáveis ou em relação à utilização de
processos produtivos sustentáveis poderá angariar benefícios adicionais.
Tais como um aumento no comprometimento dos funcionários, menos taxas e
multas por danos ambientais, menores custos de produção e de disposição
de resíduos, além de ter acesso a melhores oportunidades de negócios.
Poderá inclusive explorar a vantagem competitiva de estar fornecendo
bens e serviços ambientalmente adequados.
As atividades de cunho ambiental, de acordo com WERNKE (2001; p.46),
passaram a ser, mercadologicamente, estratégicas por uma razão
fundamental: influenciam substancialmente a continuidade da empresa, em
decorrência do significativo efeito que exercem sobre o resultado e a
situação econômico-financeira. Isso porque seus impactos podem culminar
na exclusão desta do mercado, basicamente em função da perda de clientes
para concorrentes que ofertem produtos e processos ambientalmente
saudáveis; da perda de investidores potenciais,
que estejam preocupados com a questão ecológica global e com a
garantia de retorno de seus investimentos; de restrições creditícias no
mercado financeiro, atualmente pressionado pelas co-obrigações
ambientais; ou de penalidades governamentais de natureza decisiva, como
imposição de encerramento das atividades, ou multas de valores
substanciais e de grande impacto no fluxo de caixa das companhias.
As informações sobre o provável futuro ambiental da empresa podem ser
utilizadas para encorajar operações prudentes e defensivas de redução de
resíduos, através da melhora das práticas de fabricação, embarque e
disposição. Podem oferecer informações estratégicas em termos de
diversificação de produção, investimento em pesquisa e tecnologias e,
até mesmo, sinalização para mudança de rota nos negócios.
Podem, ainda, influenciar agências reguladoras e formadores de
políticas públicas, subsidiar o programa de gerenciamento de risco e dar
transparência a riscos ocultos em fusões e aquisições. Haverá vantagens
na negociação com seguradoras, na determinação de níveis adequados de
reservas financeiras e na reformulação da estratégia da companhia e
práticas gerenciais.
Para WERNKE (2001; p.47), na gestão ambiental, o primeiro passo para
conquistar a vantagem competitiva em custos é eliminar o desperdício.
PORTER & LINDE (1995) dizem que as empresas dificilmente estão cientes
do custo da poluição em termos de desperdícios de recursos, de esforços
e diminuição de valor para o consumidor.
Nesse caso, a empresa deve avaliar o seu processo, mediante uma
auditoria ambiental, enfocando os custos desnecessários (gastos
excessivos de água e energia). Portanto, o controle de custos pode ser
usado como ferramenta para prevenir futuros impactos ambientais. Dizem
ainda que, otimizando custos, a empresa garante aumento de produtividade
e proporciona maior saúde financeira, assegurando sua continuidade
operacional. Necessita ainda, a empresa, oferecer um preço competitivo
que pode ser conseguido por um custo inferior ao da concorrência.
Quanto ao aspecto do posicionamento estratégico, em termos de
diferenciação, WERNKE (2001; p.47) diz que a variável ambiental pode ser
usada, principalmente para situar o produto ou a empresa, de forma a
distinguir-se dos concorrentes, justamente pela ênfase na preocupação
ambiental. Diz ainda que o uso de materiais recicláveis, o financiamento
a programas de preservação do meio ambiente, o tratamento de dejetos
oriundos de sua própria linha de produção etc. podem servir como
sinalizador perante os consumidores, da preocupação da empresa com a
questão ambiental.
Neste sentido, os gestores necessitam identificar e alocar custos
ambientais, de maneira que as decisões de investimentos estejam baseadas
em custos e benefícios adequadamente medidos.
Várias empresas já têm um profissional trabalhando com Contabilidade
Ambiental, como indústrias de cimento, usinas de asfalto, e muitas
outras. É uma tendência com grandes previsões de crescimento. As
empresas querem economizar e, a partir do momento que tiver um
responsável para contabilizar custos e benefícios de matéria-prima, ela
estará economizando. O consumidor, por sua vez, está cada vez mais
inteligente, e hoje chega a fazer boicote, quando acha que está sendo
lesado, ou quando reconhece que determinada empresa está prejudicando a
natureza.
Competitividade, eficiência, qualidade, produtividade, flexibilidade de
produção, inovação tecnológica, satisfação de clientes, cuidados com o
meio ambiente são alguns tópicos que fazem parte das preocupações
cotidianas dos gestores na atualidade. REBOLLO (2001; p.15) enfoca que o
meio ambiente e a gestão ambiental são variáveis que se estão destacando
presentemente no meio empresarial.
Agora, o desafio para a contabilidade está na mudança de paradigma, para
um modelo contábil ambiental, uma contabilidade integrada e competitiva
que compreenda movimentos econômicos, movimentos operativos e movimentos
ambientais.
14 – CONCLUSÃO
O mercado não mais aceita o descaso no tratamento dos recursos naturais.
Os consumidores estão interessados em produtos limpos. A legislação
torna-se mais rígida, imputando sanções aos infratores, obrigando as
empresas a encarar com seriedade e responsabilidade a variável ambiental
em sua estratégia operacional.
Posto isto, verifica-se que a sociedade é que dá permissão para a
continuidade da empresa e que, de acordo com RIBEIRO & LISBOA (2000;
p.19), os detentores de recursos não querem arriscar indefinidamente
seus patrimônios em companhias que se recusem a tomar medidas
preventivas na área ambiental. Posição semelhante assumem os
consumidores.
Profissionais competentes não podem comprometer a saúde em função da permanência em locais inadequados.
Logo, a empresa precisa se adaptar aos parâmetros exigidos para não
agredir ao meio ambiente e, por meio do reconhecimento e divulgação do
seu passivo ambiental e da evidenciação dos ativos ambientais e dos
custos e despesas com a preservação, proteção e controle ambiental, ela
torna claro para a sociedade o nível dos esforços que vem desenvolvendo,
com vistas ao atingimento de tais objetivos.
Neste sentido, a contabilidade não pode ficar fechada à escrituração e
mensurações quantitativas do patrimônio da empresa. Como diz HERCKERT
(2001; p. 6), ela deve estar aberta a evolução tecnológica e as mudanças
rápidas do mundo moderno. Estar presente na luta pela preservação
ambiental natural.
Criando modelos contábeis eficazes e orientando o empresário na
aplicação destes modelos, para satisfazer as necessidades da riqueza da
empresa com eficácia, e também satisfazer, com eficácia, as necessidades
do meio ambiente natural.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer- beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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