1 - INTRODUÇÃO
A contabilidade é conhecida como um sistema de informações formal e
estruturado, tendo como um dos objetivos principais, informar para o
controle do patrimônio, avaliação de desempenho e tomada de decisão.
Para isto precisa de um corpo de conceitos e de uma metodologia que
possam representar, de modo objetivo, os eventos econômicos ocorridos
nas empresas.
Portanto, o ambiente em que esses eventos estão ocorrendo está sendo
interferido por variáveis que não eram objeto de classificação
conceitual e metodológica pela contabilidade, como é o caso da questão
ambiental.
Sendo assim, faz-se necessário que a contabilidade, como instrumento de
informações para a tomada de decisões, possa desenvolver e incorporar em
seus conceitos e métodos formas de registrar e mensurar os eventos
econômicos relativos ao meio ambiente.
2 - A EMPRESA E A QUESTÃO AMBIENTAL
A questão ambiental está se tornando cada vez mais matéria obrigatória
das agendas dos executivos. A internacionalização dos padrões de
qualidade ambiental descritos na série ISO 14000, a globalização dos
negócios, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a
disseminação da educação ambiental nas escolas permitem antever que a
exigência futura que farão os consumidores em relação à preservação do
meio ambiente e à qualidade de vida deverão intensificar-se.
Neste contexto, as organizações deverão, incorporar a variável ambiental
no aspecto de seus cenários e na tomada de decisão, mantendo com isso
uma postura responsável de respeito à questão ambiental.
Empresas experientes identificam resultados econômicos e resultados
estratégicos do engajamento da organização na causa ambiental. Estes
resultados não se viabilizam de imediato, há necessidade de que sejam
corretamente planejados e organizados todos os passos para a
interiorização da variável ambiental na organização para que ela possa
atingir o conceito de excelência ambiental, trazendo com isso vantagem
competitiva.
Os dez passos necessários para a excelência ambiental segundo ELKINGTON
& BURKE, apud DONAIRE (1999; p.50) são os seguintes:
"1 - Desenvolva e publique uma política ambiental.
2 - Estabeleça metas e continue a avaliar os ganhos.
3 - Defina claramente as responsabilidades ambientais de cada uma das
áreas e do pessoal administrativo (linha de assessoria).
4 - Divulgue interna e externamente a política, os objetivos e metas e
as responsabilidades.
5 - Obtenha recursos adequados.
6 - Eduque e treine seu pessoal e informe os consumidores e a comunidade.
7 - Acompanhe a situação ambiental da empresa e faça auditorias e
relatórios.
8 - Acompanhe a evolução da discussão sobre a questão ambiental.
9 - Contribua para os programas ambientais da comunidade e invista em
pesquisa e desenvolvimento aplicado à área ambiental.
10 - Ajude a conciliar os diferentes interesses existentes entre todos
os envolvidos: empresa, consumidores, comunidade, acionistas etc."
A primeira dúvida que surge quando considerarmos a questão ambiental do
ponto de vista empresarial é sobre o aspecto econômico. Qualquer
providência que venha a ser tomada em relação à variável ambiental, a
idéia é de que aumenta as despesas e o conseqüente acréscimo dos custos
do processo produtivo.
DONAIRE (1999; p.51) refere que "algumas empresas, porém, têm
demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente
mesmo não sendo uma organização que atua no chamado 'mercado verde',
desde que as empresas possuam certa dose de criatividade e condições
internas que possam transformar as restrições e ameaças ambientais em
oportunidades de negócios."
Neste contexto de oportunidades o mesmo autor cita a reciclagem de
materiais que tem trazido uma grande economia de recursos para as
empresas; o reaproveitamento dos resíduos internamente ou sua venda para
outras empresas; o desenvolvimento de novos processos produtivos com a
utilização de tecnologias mais limpas ao ambiente; o desenvolvimento de
novos produtos para um mercado cada vez maior de consumidores
conscientizados com a questão ecológica, geração de materiais de grande
valor industrial a partir do lodo tóxico, estações portáteis de
tratamento, miniusinas para uso de pequenas empresas e o aparecimento de
um mercado de trabalho promissor ligado à variável ambiental que deverá
envolver auditores ambientais, gerentes de meio ambiente, advogados
ambientais, bem como o incremento de novas funções técnicas específicas.
2.1 - Posicionamento da empresa em relação a questão ambiental
De acordo com NORTH, apud DONAIRE (1999; p.53), para a avaliação correta
da posição da empresa há a necessidade de considerar as seguintes
variáveis:
a) Ramo de atividade da empresa: - pode ser considerado a primeira vista
o indicador mais importante da ameaça que a organização pode causar ao
meio ambiente e dos custos que se fazem necessários para atender às
exigências da regulamentação ambiental. Os setores industriais mais
poluentes de acordo com Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento são: as indústrias químicas, de papel e celulose, de
ferro e aço, de metais não ferrosos (por ex: alumínio), de geração de
eletricidade, de automóveis e de produtos alimentícios.
b) Produtos: - a empresa é conceituada pelos produtos que fabrica.
Portanto, produtos obtidos de matérias-primas renováveis ou recicláveis,
que não agridem o meio ambiente e que têm baixo consumo de energia devem
ter a preferência das organizações engajadas na causa ambiental.
c) Processo: - os objetivos para um processo ser considerado
ambientalmente amigável são: poluição zero; nenhuma produção de resíduos;
nenhum risco para os trabalhadores; baixo consumo de energia; e
eficiente uso dos recursos.
d) Conscientização ambiental; - as empresas que não são conscientizadas
em relação a causa ambiental podem ser pegas de surpresa pelos
concorrentes que eventualmente já incorporam essa variável em seu
processo de tomada de decisão e na avaliação de seus cenários e que
poderão tirar vantagens desse seu pionerismo.
e) Padrões ambientais: - quanto maior a pressão social mais restrita é
sua legislação ambiental. Nos países onde as restrições ambientais são
mais severas como Japão, Alemanha, Suécia etc., suas organizações
desenvolveram excelentes oportunidades de novos negócios, relacionados
com a questão ambiental, que atualmente estão inclusive exportando
know-how para outros países.
f) Comprometimento gerencial (linha e staff): - este comprometimento
dissemina no seio da organização a formação de um clima propício ao
surgimento de esquemas e círculos de qualidade ambientais, bancos de
sugestões, auditorias etc., que se traduzem em uma contínua busca de
melhorias.
g) Capacitação do pessoal: - o comprometimento com a preservação do meio
ambiente exige que a empresa enfrente eficientemente este desafio.
Baixos níveis de poluição podem estar ligados a novos equipamentos,
tecnologias mais novas que podem provocar mudanças nos processos e
produtos. Além dos investimentos em novas máquinas, instalações e
equipamentos, tal posição implica a existência de um pessoal competente
e treinado que seja capaz de transformar os planos idealizados em ações
efetivas e eficazes.
h) Capacitação da área de P&D: - as empresas que são orientadas
ambientalmente têm demonstrado ser capazes de antecipar e reagir
rapidamente às mudanças do mercado e à legislação ambiental. Portanto as
organizações que possuem na área de P&D, equipes flexíveis e criativas,
que se caracterizam por ciclos curtos de desenvolvimento de processos e
produtos e que estão atualizadas com as informações sobre novas
tecnologias, podem não só viabilizar a causa ambiental internamente, mas
também transformar este know-how em atividades de consultoria para
outras empresas, desenvolvendo dessa forma grandes oportunidades de
negócios.
i) Capital: - a empresa não sabe se os investimentos realizados com a
questão ambiental será rentável, pois muitas vezes pode levar muito
tempo para conseguir o retorno desse investimento.
Como o retorno do investimento não pode ser previsto em termos
determinísticos, sempre haverá necessidade de aporte de capitais
próprios ou de terceiros para que a empresa se integre na causa
ambiental.
Para minimizar estes impactos, as empresas poderão negociar com órgãos
governamentais, resultando em, cronogramas mais amplos, onde poderão
viabilizar ao longo do tempo objetivos difíceis de ser alcançados no
curto prazo.
3 -COMO DEVERÁ SER A CONTABILIDADE AMBIENTAL
A contabilidade vista como um sistema de informação da situação e da
evolução patrimonial, econômica e financeira da empresa, deve incluir em
seus relatórios, todos os dados relacionados ao meio ambiente,
facilitando o acesso a mais esta informação ao seu grande número de
usuários, auxiliando-os no processo de tomada de decisão.
A contabilidade entendida como meio de fornecer informações deveria
buscar responder a este novo desafio, atendendo aos usuários
interessados na atuação das empresas sobre o meio ambiente, subsidiando
o processo de tomada de decisão.
O contador deve participar de forma ativa, neste processo de
planejamento, avaliação e controle das questões ambientais, registrando
e divulgando as medidas adotadas e os resultados alcançados.
RIBEIRO (1992; p.64) diz que "sob este aspecto a informação abrangeria
os investimentos realizados, seja em nível de aquisição de bens
permanentes, despesas do exercício em curso ou obrigações contraídas em
prol do meio ambiente, como também as medidas empreendidas para
recuperação e preservação do mesmo; assim a contabilidade estaria
cumprindo sua função social ao refletir as ações da empresa que visem
estes objetivos".
É importante ressaltar que se o contador ficar ausente nesse processo
pode de acordo com MARTINS & DE LUCA (1994; p.25) "resultar em uma
omissão de sua maior responsabilidade, que é a de fornecer informações
aos mais diversos usuários, e que, se não cumprida, será realizada por
profissional de outra área".
A 7ª Reunião da ONU evidenciou as normas contábeis sobre a
contabilização dos elementos de proteção e recuperação ambientais e
sobre o nível de divulgação adequado. IPECAFI apud RIBEIRO (1992; p. 67)
faz a seguinte observação sobre a evolução da normatização contábil: "É
interessante verificar a evolução das exigências com relação à
divulgação de informações sobre o que a empresa esteja gastando ou sendo
obrigada as gastar quer na forma de investimentos ou de despesas com
relação ao controle do meio ambiente mais do que uma contabilidade de
gastos ambientais é a idéia do 'environmental accountability'. Essa
'tomada de contas' dos gastos com o meio ambiente parece estar tomando
corpo nas sociedades de inúmeros países de várias regiões do mundo".
Sabemos que não é fácil identificar as alternativas, nem fazer escolhas
corretas sobre métodos a serem utilizados; mas MARTINS & DE LUCA (1994;
p.25) referem que "os contadores tem condições técnicas para buscar
soluções a atender a essas novas necessidades dos usuários da
contabilidade.".
O que dificulta a evolução da Contabilidade Ambiental é a resistência
dos empresários em reconhecer sua responsabilidade perante a sociedade,
dado que isto viria onerá-los.
ESTES apud RIBEIRO (1992;.p.69) menciona que "os contadores, como os
demais cidadões e profissionais (engenheiros, economistas, advogados,
médicos e outros) têm a responsabilidade de contribuir para solucionar
os problemas ambientais". O mesmo autor cita que estas responsabilidades
e capacidades podem ser divididas em três categorias: "determinação de
custos (com consideração especial para os custos sociais); serviços de
gerência; e serviços de informação".
3.1 - Aplicação dos procedimentos contábeis
As informações não-financeiras das atividades da empresa relacionadas
com o meio ambiente, como por exemplo citado por MARTINS & DE LUCA
(1994; p.26) "sobre o produto, sua utilidade, como interfere ou interage
junto ao meio ambiente e o destino dado ao seu resíduo final pelos
consumidores podem ser apresentadas no Relatório da Administração ou no
Balanço Social".
Quanto ao Relatório da Administração TINOCO (1994; p.29) recomenda que
deve-se incluir as seguintes informações:
"a) as classes de questões ambientais que se aplicam à empresa e seu
ramo de atividades;
b) as medidas e programas formalmente estabelecidos pela empresa em
relação com as iniciativas de proteção do meio ambiente;
c) as melhoras introduzidas em grau de importância desde que se adotaram
as medidas nos últimos anos;
d) as metas em matérias de emissão de poluentes em que a empresa se tem
fixado e o resultado alcançado;
e) o resultado da empresa nas medidas de proteção do meio ambiente por
imposição legal;
f)os efeitos financeiros e operacionais das medidas de proteção ao meio
ambiente sobre os gastos de capital no atual exercício e a provisão em
exercícios futuros".
Já no Balanço Social são apresentados em geral, os resultados do
desempenho social da empresa e avaliadas as relações ocorridas entre
esses resultados e a sociedade. As informações de natureza social
apresentadas no Balanço Social,
segundo MARTINS & DE LUCA (1994 p;.26) tais como níveis de emprego,
relações e formações profissionais, condições de higiene e segurança no
trabalho, proteção ao meio ambiente e distribuição da riqueza criada
pela empresa, complementam as tradicionais demonstrações contábeis.
Os mesmos autores continuam dizendo que, as informações de natureza
financeira relativas ao meio ambiente podem facilmente ser divulgadas no
corpo das atuais demonstrações contábeis, de forma segregada dos demais
itens referentes à atividade operacional da empresa. Fazendo parte desse
conjunto de informações os elementos de custos, despesas, bens
permanentes e obrigações decorrentes do processo de proteção e
recuperação do meio ambiente.
Para TINOCO (1994; p. 26) o Balanço Social, pode, às vezes comportar
informações físicas e monetárias. O fulcro de tal apresentação é duplo:
a) os reportes entre dados físicos e dados monetários devem permitir
acumular, ao menos parcialmente, as insuficiências em matéria de
avaliação.
b) a colocação, em paralelo, dos dois sistemas de dados permite
evidenciar os custos específicos que representam os investimentos
antipoluição segundo os setores.
3.2 - Despesas
MARTINS (1995; p.93), refere que o Princípio do Confronto das despesas
com as Receitas nos seus respectivos períodos contábeis está definido da
seguinte forma: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas
reconhecidas, em determinado período, com as mesmas deverá ser
confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativo (atuais ou futuros)
realizados em determinado período e que não puderem ser associados à
receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser
descarregados como despesa do período em que ocorrerem....".
IUDÍCIBUS (1993; p.133) diz que "despesas, em sentido restrito,
representa a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de
produzir receitas. Note que a despesa pode referir-se a gastos efetuados
no passado, no presente ou que serão realizadas no futuro. De formas
geral, podemos dizer que o grande fato gerador de despesas é o esforço
continuado para produzir receita....".
Portanto despesas são os recursos consumidos, na forma de bens ou
serviços necessários à produção de receitas em um dado período,
independente da forma ou momento do desembolso.
Segundo RIBEIRO (1992; p.78) "estes recursos, necessários à obtenção de
receitas são tradicionalmente divididos entre custos e despesas.
Adotaremos o conceito genérico de que custos são aqueles relacionados ao
processo de produção, enquanto despesas são aqueles relativos à
administração da empresa como um todo".
Os custos e despesas destinados à preservação ambiental ocorrem em
conexão com o processo produtivo e/ou em decorrência deste, portanto
devem ser destacados em grupo específico da Demonstração de Resultado do
Exercício e compor-se de custos de insumos e de mão-de-obra necessários
à proteção, preservação e recuperação do meio ambiente, bem como da
amortização dos gastos capitalizados, além das taxas de preservação ou
multas impostas pelas legislações ambientais, conforme MARTINS & DE LUCA
(1994;. p. 26).
São considerados custos e despesas ambientais, de acordo com RIBEIRO
(1992;. p.80): o valor dos insumos, mão-de-obra, amortização de
equipamentos e instalações necessários ao processo de preservação,
proteção e recuperação do meio ambiente, bem como serviços externos e os
gastos para realização de estudos técnicos sobre a metodologia e
procedimentos adequados.
Para reconhecimento desses gastos observa-se dois aspectos: 1 - os
gastos necessários à recuperação e reparação de danos causados ao meio
ambiente têm o seu fato gerador em momentos passados. Esses gastos devem
ser contabilizados no exercício em que têm início as atividades de
recuperação; é necessário trabalhar para o devido provisionamento
durante o período da produção responsável pelos danos a serem reparados
e 2 - os gastos para preservação, redução ou eliminação da poluição que
ocorre simultaneamente ao processo produtivo; estes devem ser alocados
como custos necessários à produção da receita do período,
segregadamente.
Tem-se ainda os custos prévios que devem ser alocados, ainda que de
forma aproximada, ao processo produtivo ou período que irão beneficiar.
RIBEIRO (1992;. p.81) argumenta que estes custos poderiam ser apurados
em decorrência da aplicação concreta de meios para evitar ou diminuir a
poluição em períodos posteriores, ou através de estimativas dos custos
que seriam necessários à correção dos efeitos dos poluentes produzidos,
cujo fato gerador fosse pertinente ao exercício em curso.
Outros tipos de custo são os de estudos para avaliar as características
geográficas da área afetada, composição e extensão dos poluentes
produzidos, materiais e tecnologias, além da extensão de tempo
necessária à realização dos trabalhos.
Como estes estudos são elaborados previamente, os custos podem ser
alocados aos períodos pertinentes com a evolução do estudo, ao passo
que, quando realizados em função de prejuízos já causados, seus custos
seriam alocados aos resultados do período em curso.
RIBEIRO (1992; p.82) diz que existe ainda o custo decorrente do
monitoramente da recuperação ou preservação ambiental, existindo
simultaneamente à atividade econômica explorada, e, portanto, deveria
ser regularmente contabilizado, segregadamente, em contrapartida aos
rendimentos obtidos no período. Hoje é comum às industrias extrativistas,
nucleares, e de exploração de carvão e óleo.
3.3 - Ativos ambientais
MARTINS (1972; p.30) refere que "ativo é o futuro resultado econômico
que se espera obter de um agente". Já JUNIOR (1999;. p.6) diz que "um
ativo é um recurso controlado por uma empresa que surge de eventos
passados e de onde são esperados futuros fluxos de benefícios econômicos
diretos ou indiretos para a empresa, através de: aumento da capacidade
ou aumento da segurança ou eficiência de outros ativos próprios da
empresa; redução ou prevenção de provável contaminação ambiental
resultante de futuras operações; ou, ainda, conservação do meio
ambiente. Esse tipo de gasto deve ser capitalizado, na forma de
imobilizado ou diferido, se atender aos critérios de reconhecimento como
um ativo, para apropriação nos períodos em que gere benefícios
econômicos futuros".
Portanto, ativos ambientais, são todos os bens da empresa que visam à
preservação, proteção e recuperação ambiental e devem ser segregados em
linha à parte no Balanço Patrimonial, conforme MARTINS & DE LUCA (1994;.
p.26) para permitir ao usuário melhor avaliação das ações ambientais da
empresa. São ativos ambientais:
Estoques: são os insumos em almoxarifado adicionáveis ao processo
produtivo para eliminar, reduzir, controlar os níveis de emissão de
resíduos, ou materiais para recuperação ou reparos de ambientes afetados.
Imobilizado: os investimentos realizados na aquisição de bens que
viabilizam a redução de resíduos poluentes durante o processo de
obtenção de receitas e cuja vida útil se prolongue além do término do
exercício social, como por exemplo: máquinas, equipamentos, instalações,
etc.
Diferido: investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia no
longo prazo, que de acordo com MARTINS & DE LUCA (1994;. p.26) quando
estes puderem ser claramente relacionados com receitas futuras de
períodos específicos.
Provisão para desvalorização: RIBEIRO (1992. p.92) refere que os ativos
tangíveis e intangíveis, particularmente os não monetários, estão
sujeitos à ação ambiental. Consequentemente, seus valores podem sofrer
alterações por ganho ou perda do valor econômico, alterando o real
potencial econômico da empresa.
Portanto, para qualquer elemento do ativo tangível que tenha a extinção
de sua vida útil acelerada ou a direta redução de seu valor econômico,
no caso de terrenos ou estoques, em função de alterações do meio
ambiente, deveria ser constituídas, de forma segregada, uma conta de
provisão para registrar sua desvalorização, evidenciando-se nas notas
explicativas sua origem e natureza.
Goodwill: MONOBE apud RIBEIRO (1992; p.94) define Goodwill como a
diferença entre o valor atual da empresa como um todo, em termos de
capacidade de geração de lucros futuros, e o valor econômico dos seus
ativos. Retrata o potencial econômico da empresa não registrado pela
contabilidade, mas seria incluido no preço em uma negociação de venda.
Para RIBEIRO (1992; p. 94) o goodwill poderá se formar a partir da
expectativa de lucros acima do que seria normal em decorrência de
reputação junto aos clientes, fornecedores, empregados, comunidade,
vantagens quanto a localização, know how etc.
Este bem, pode ter seu valor econômico alterado em função do
comportamento da empresa. No que se refere ao meio ambiente, ou pela
ação deste sobre a mesma.
3.4 - Passivos ambientais
SPROUSE e MOONITZ, apud RIBEIRO (1992; p.97) afirmam que passivos são
obrigações que exigem a entrega de ativos ou prestação de serviços em um
momento futuro, em decorrência de transações passadas ou presentes.
Passivos ambientais, referem-se segundo MARTINS & DE LUCA (1994; p.27) a
benefícios econômicos que serão sacrificados em função de obrigação
contraída perante terceiros para preservação e proteção ao meio
ambiente. Têm origem em gastos relativos ao meio ambiente, que podem
constituir-se em despesas do período atual ou anteriores, aquisição de
bens permanentes, ou na existência de riscos de esses gastos virem a se
efetivar (contingências).
Um passivo ambiental deve ser reconhecido conforme JUNIOR (1999;. p. 6)
quando existe uma obrigação por parte da empresa que incorreu em um
custo ambiental ainda não desembolsado, desde que atenda ao critério de
reconhecimento como uma obrigação. Portanto, esse tipo de passivo é
definido como sendo uma obrigação presente da empresa que surgiu de
eventos passados.
Despesas do exercício atual: os passivos ambientais que se originam em
despesas (insumos ou serviços necessários à realização do processo de
recuperação, totalmente consumidos, devem ser contabilizados em
contrapartida a uma conta de resultado à medida que o fato gerador
ocorre.
Resultados de exercícios anteriores: o passivo ambiental poderá decorrer
de eventos passados. Tratando-se de fatos geradores ocorridos em
exercícios anteriores e que não possam ser atribuídos a fatos
subsequentes (a recuperação de áreas poluídas, por exemplo) RIBEIRO
(1992; p.114) diz que a contrapartida dos ajustes também deveria ser
feita diretamente à conta de Resultados do exercício em curso, dado que
os Resultados de exercícios anteriores só devem ser alterados em função
de mudança de critério contábil ou da retificação de erro imputável a
determinados exercícios anteriores.
Nesses ambos casos, os passivos ambientais deveriam ser estimados, não
havendo elementos para determinar seus valores precisos, hipóteses em
que as provisões contábeis seriam constituídas.
Estudos técnicos devem ser feitos, abrangendo as características
originais, estado atual e localização geográfica da área afetada. A
empresa poderia proceder a um levantamento do montante de gastos a
realizar, elaborando um plano de viabilização para execução do
empreendimento, sendo estes reconhecidos através de provisões contábeis
as exigibilidades envolvidas.
Essas exigibilidades verificadas na realização de estudos necessários à
recuperação e/ou proteção ambiental de acordo com PRICE, apud RIBEIRO
(1992; p. 115) são reconhecidas, em alguns casos, à medida que tais
estudos começam a apresentar seus primeiros resultados, dada a
constatação das responsabilidades a serem cumpridas.
Na maioria dos casos, essas exigibilidades são reconhecidas somente no
ato da efetivação dos gastos. Tais gastos, de acordo com os Princípios
Contábeis, e suas respectivas exigibilidades deveriam ser contabilizados
no mesmo período que seria registrado a receita decorrente, podendo
dessa forma confrontar as receitas e despesas no mesmo período contábil.
Ativos permanentes de natureza ambiental: os bens adquiridos que são
classificados no ativo permanente podem originar passivo ambiental, em
contrapartida a um ativo ambiental. Isto pode acontecer segundo RIBEIRO
(1992; p. 116), quando o processo de proteção, preservação e recuperação
do meio ambiente exigisse a aquisição de equipamentos e instalações que
seriam utilizados por períodos superiores ao exercício em curso.
Esses equipamentos podem ser utilizados na recuperação da área afetada,
ou também no monitoramento pré e pós realização do trabalho.
Riscos ambientais potenciais: RIBEIRO (1992; p. 117), diz que quando
correlacionados com riscos e incertezas a que a empresa está sujeita, os
passivos ambientais adquirem as características das contingências,
podendo decorrer de três situações:
a) iniciativa própria: quando a empresa antecipa por iniciativa própria
a ações de terceiros ou da legislação ambiental, como eventos passados,
presentes ou futuros, reconhecendo suas obrigações.
b) reivindicações de terceiros: Os passivos ambientais de acordo com
RIBEIRO (1992; p. 119), advindos de reivindicações de terceiros poderiam
merecer tratamentos similares.
As indenizações financeiras de restauração de bens podem ser requeridas
pela comunidade externa em decorrência de prejuízos sofridos em função
das atividades operacionais da empresa.
c)exigibilidade das legislações ambientais: os órgãos competentes
poderão verificar o grau de responsabilidade da empresa quando esta
opera de forma irregular, não obedecendo os padrões ambientais
estabelecidos, resultando em penalidades.
Fusão, cisão, incorporação, venda e privatização: de acordo com MARTINS
& DE LUCA (1994; p. 27), o valor do passivo ambiental de uma empresa tem
sido objeto de grande importância para o processo de tomada de decisões,
sendo questionado com frequência e sua evidenciação exigida por um
número cada vez maior de usuário. Entre estes, podem-se mencionar
aqueles envolvidos em processo de compra - e - venda de empresa de fusão,
cisão, incorporação, e, ainda, dos processos de privatização, para fins
de determinação do real valor econômico da empresa.
Instituições financeiras: os autores acima referem que as instituições
financeiras estão atentas também ao passivo ambiental das empresas. Em
países mais desenvolvidos, evitam até de conceder empréstimos àquelas
que apresentam qualquer risco potencial ao meio ambiente.
3.5 - Notas explicativas
As notas sobre a política contábil devem descrever as normas adotadas
para contabilizar as medidas de proteção do meio ambiente relativas, por
exemplo, de acordo com TINOCO (1994; p.30):
a) ao reflexo nas operações do montante relacionado com as medidas
ambientais;
b) à origem do financiamento e à política de amortização;
c) à consignação dos passivos;
d) à criação de provisões e de reservas para atender a casos de
acidentes ecológicos;
e) à divulgação da informação sobre passivos eventuais;
f) ao critério aplicado às subvenções oficiais.
Por intermédio do grupo de Trabalho Intergovernamental de Especialistas
em Padrões Internacionais de Contabilidade e Informação, a ONU, vem
realizando vários estudos e discutindo sobre normas e procedimentos
contábeis ao meio ambiente.
Quanto as Notas Explicativas é recomendado a inclusão das políticas
contábeis adotados para a mensuração da proteção ambiental, como segue
de acordo com MARTINS & DE LUCA (1994; p. 27):
- inclusão nas despesas operacionais;
- capitalização e amortização;
- registro das exigibilidades;
- estabelecimento de provisões e reservas para contingências;
- evidenciação das obrigações contingentes;
- seguro contra danos e prejuízos; e
- tratamento dos subsídios e incentivos (governamentais e outros).
Quando se tratar de valores materiais, recomenda-se evidenciar:
- o total capitalizado, e o total acumulado, juntamente com uma
descrição das medidas a que se relacionam;
- o total dos gastos, subdivididos em contas representativas do
tratamento de líquido, ar, gases, sólidos, análise e controles,
reciclagens, etc.;
- efeitos do Imposto de Renda e seus reflexos na época de realização dos
dispêndios na área ambiental; e
- o total dos subsídios e incentivos, governamentais, ou não, recebidos
no período para proteção ambiental, juntamente com sua contrapartida.
3.6 - Relatório da administração
No Relatório da Administração, que se ocupa em examinar e analisar a
gestão, a ONU recomenda o seguinte conteúdo, apud MARTINS & DE LUCA
(1994; p. 28):
- o tipo de resíduos e seus impactos relativos às operações da empresa;
- a política formal e os programas adotados com relação às medidas de
proteção ambiental (nos casos em que tais políticas não existam, este
fato deve ser declarado);
- as melhorias em áreas-chaves, desde a introdução das políticas, ou nos
últimos cinco anos, o que for mais curto;
- os objetivos fixados na área ambiental e seu desempenho;
- a extensão em que as medidas de proteção ambiental foram adotadas de
acordo com a legislação governamental e a extensão em que têm sido
atendidas;
- problema ambiental conhecido e potencialmente significativo, a menos
que se conclua objetivamente que não é provável sua ocorrência ou que,
caso ocorra, não é provável que seu efeito seja material;
- o efeito financeiro ou operacional das medidas de proteção ambiental
nos ganhos de capital e lucros da empresa para o período corrente e
qualquer impacto específico nos períodos futuros.
3.7 - Auditoria ambiental
A auditoria para atender a mais essa necessidade de informação sobre as
empresas, segundo FERREIRA (1996;. p.76) começou a desenvolver estudos,
principalmente a partir do fato ocorrido na Índia, com a empresa Union
Carbide, cuja trajédia resultou em centenas de mortes, com o vazamento
de gases.
Outro fato aconteceu no Alaska/USA, com o vazamento de óleo no mar
provocado pela empresa Exxon. A mesma autora diz ainda que ambas as
empresas não faziam em suas demonstrações contábeis, tanto no Balanço
Patrimonial, nem sequer em Notas Explicativas, qualquer menção aos
prováveis riscos que elas estavam incorrendo com a poluição do meio
ambiente e a consequente necessidade de indenizar pessoas ou governos,
ou ainda, com gastos de recuperação ambiental pelos danos causados por
atividades de sua responsabilidade.
Com tudo isto acontecendo, as empresas de auditoria começaram a
preocupar-se em verificar se as demonstrações contábeis estavam de
acordo com os princípios de contabilidade e com a legislação vigente, só
que até aquele momento, não abordavam, em suas análises, as
contingências relativas ao meio ambiente.
Hoje, a auditoria ambiental conforme JUNIOR (1999; p. 10) vem
desenvolvendo suas práticas e critérios específicos e apropriados, os
quais estão surgindo através dos trabalhos realizados pelo Comitê de
Práticas de Auditoria Internacional (International Auditing Practices
Commttee - IAPC), juntamente com outros órgãos de contabilidade e
auditoria.
A auditoria ambiental constitui ferramenta essencial para avaliar a
eficácia de todas as ações de controle, aferindo a qualidade final do
processo de controle ambiental integrado ao processo industrial, não se
limitando à verificação dos itens relacionados ao meio ambiente nas
demonstrações contábeis.
Isto é corroborado por MARTINS & DE LUCA (1994;.p. 28) ao dizer que
trata-se de procedimentos de investigação, mediante os quais os projetos
ambientais da empresa são avaliados diante de padrões estabelecidos por
leis ou por metas previamente adotadas para melhoria de seu desempenho.
Argumentam ainda que as auditorias ambientais são executadas para
atender a dois diferentes propósitos:
- permitir que uma empresa avalie sistematicamente seu desempenho
ambiental, a fim de conseguir as melhorias necessárias; e
- verificar o desempenho ambiental de empresa no curso de uma aquisição
ou fusão, permitindo que o vendedor ou comprador avalie suas
responsabilidades potenciais.
4 - A CONTABILIDADE COMO SISTEMA DE INFORMAÇÃO QUANTO A POSTURA
AMBIENTAL
A contabilidade, como ciência que estuda a situação patrimonial e o
desempenho econômico-financeiro das entidades, possui instrumentos
necessários para colaborar na identificação do nível de responsabilidade
social dos agentes econômicos.
A contabilidade objetivando evidenciar a situação econômico-financeira
das empresas e o desempenho periódico destas, constitui um adequado
sistema de informações quanto à postura ambiental das entidades.
Portanto propostas e recomendações existem no sentido de que as
companhias tornem públicos os efeitos de sua interação com o meio
ambiente.
Os efeitos da interação da empresa com o meio ambiente de acordo com
RIBEIRO & LISBOA (1999; p.75) podem ser identificados mediante:
- os estoques de insumos antipoluentes para inserção no processo
operacional;
- os investimentos realizados em tecnologias antipoluentes (máquinas,
equipamentos, instalações, etc;
- o montante de obrigações assumidas pela empresa para recuperação de
áreas degradadas ou águas contaminadas, e para pagamento de penalidades
ou multas decorrentes de infrações à legislação ambiental;
- as reservas para contingências constituídas com base na forte
probabilidade de ocorrência de perdas patrimoniais provocadas por
eventos de natureza ambiental;
- o montante de custos e despesas incorridos com vistas à contenção dos
níveis de poluição e/ou por penalidades recebidas por procedimentos
inadequados."
Porém, o Balanço Patrimonial refletindo a situação econômico-financeira
das empresas ou seja bens, direitos e obrigações, poderia discriminar
como Ativo, as aplicações de recursos tendo como objetivo o que estiver
relacionado à proteção, recuperação e restauração ambiental, como os
investimentos em estoques de insumos preventivos aos efeitos poluentes e
em bens de longa duração, que seriam utilizados no processo de contenção/eliminação
da poluição.
Pode ser representado no Ativo as perdas por meio de provisão para
desvalorização, totais ou parciais. Essas perdas são as decorrentes da
exposição dos ativos quanto a poluição, traduzindo-se em redução do
potencial em uso.
De acordo com RIBEIRO & LISBOA (1999; p.76) "essas informações
traduziram o empenho prático da organização em melhorar a qualidade
ambiental do planeta e, por conseguinte em demonstrar sua
responsabilidade social, além de servir de parâmetro para a melhoria de
suas congêneres".
O Passivo que representa as obrigações para com terceiros, devem ser
reconhecidos a partir do momento em que são verificados, mesmo que ainda
não haja uma cobrança formal ou legal.
Esta identificação e divulgação do Passivo Ambiental, são de grande
relevância para avaliação das condições de continuidade destas, além de
serem úteis na evidenciação da responsabilidade social.
Dentre outras forma de identificação do Passivo Ambiental temos as EIAs
(estudo de impactos ambiental) e as RIMAS (relatórios de impacto ao meio
ambiente), sendo que EIAs é elaborado na época de constituição da
empresa e o RIMA elaborado periodicamente, para acompanhamento, por
esses órgãos, dos impactos dos procedimentos operacionais das empresas.
O Passivo Ambiental tornou-se um quesito elementar, nas negociações de
empresa ou seja na compra e venda, pois poderá ser atribuído aos novos
proprietários a responsabilidade pelos efeitos nocivos ao meio ambiente
provocados pelo processo operacional da companhia ou pela forma como os
resíduos poluentes foram tratados. Isso é corroborado por RIBEIRO &
LISBOA (1999;.p. 77), ao dizer que "pode gerar significativos impactos
no fluxo financeiro e econômico da organização".
A identificação do Passivo Ambiental também tem grande relevância nos
processos de privatização e de compra, nessas negociações de valores das
transações e nos processos de incorporação de empresas com
características altamente poluentes, em que este item foi ignorado,
houve grandes prejuízos para a incorporação.
O desempenho das empresas apurada pela demonstração de resultado pode
mostrar com clareza o montante de recursos consumidos naquele período
específico para a proteção, controle, preservacão e restauração
ambiental, identificando o montante de gastos com penalidade e multas.
RIBEIRO & LISBOA ( 1999; p. 77) argumentam que "a evidenciação dos
fatores que refletem a interação da empresa com o meio ambiente é
fundamental. Qualquer que seja o usuário dessa informação, poderá estar
interessado na identificação dos riscos de eventual descontinuidade e
das perspectivas de continuidade, tendo em meta as ações e pressões
governamentais, da comunidade financeira, de crédito, e da sociedade em
geral."
Outro enfoque importante que essas informações poderão trazer são as
instalações e manutenção de empresas, pois por intermédio dessas
informações pode-se analisar o custo-benefício dessas organizações.
Portanto a Contabilidade poderá dar essas informações pois é responsável
pela identificação e apuração dos resultados econômicos-financeiros.
Essas informações contábeis de acordo com RIBEIRO & LISBOA (1999; p.78)
"conjugadas com dados físicos sobre os poluentes produzidos
comparativamente à quantidade e tipos produzidos no período
imediatamente anterior, bem como sobre os níveis permitidos pela
legislação ambiental, podem ser de grande valia no que tange à avaliação
da responsabilidade social de uma empresa."
Verifica-se portanto que por meio da identificação, mensuração e
divulgação das referidas informações, a Contabilidade pode contribuir
muito com a sociedade e governo buscando soluções para os problemas
sociais, pois a Contabilidade como meio de fornecer informações, deve
buscar responder a este novo desafio, satisfazendo os usuários
interessados na atuação das empresas sobre o meio ambiente, devendo
ainda contribuir para a tomada de decisão.
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociedade cada vez mais exige fornecimento de informação. Nos meios de
comunicação estão presentes a cada dia que passa, as questões ecológicas
ambientais e sociais. Os contadores e a contabilidade não podem ficar de
fora desta realidade.
Para elaboração de um Balanço Ambiental são encontradas várias
dificuldades, sendo apontada a principal que é a mensuração e a correta
identificação dos ativos e passivos envolvidos, bem como o padrão de
acumulação que possa facilitar a operacionalização do processo contábil.
TINOCO (1994;. p. 31) aborda que muitas barreiras e dificuldades terão
de ser vencidas, para que se possa difundir uma cultura empresarial
convergente para a adequada divulgação dos danos ambientais efetivados
ou potenciais, decorrentes das atividades econômicas.
Portanto, a Contabilidade tem que está atenta ao avanço das questões que
se apresentam e passará a incorporar as questões ecológicas e ambientais
nos seus registros, nas contabilizações e nas divulgações aos usuários
da informação contábil.
RIBEIRO & LISBOA (1999; p. 81) dizem que, o instrumento já existe: a
Contabilidade. Por meio da identificação, mensuração e divulgação das
referida informações, a Contabilidade pode contribuir muito.
Maria Elisabeth Pereira Kraemer - beth.kraemerarrobaterra.com.br
Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal. Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da ACIN – Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.
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